Esses dias me senti mal por não contribuir tanto com o mundo e resolvi que, quando morresse, doaria meu corpo à alguma universidade, para que estudantes dos cursos de medicina e derivados pudessem ter acesso a um corpo jovem, sem precisar reutilizar por mais de 20 anos um mesmo corpo velho e cansado. Quando cheguei no cartório para assinar os papéis necessários me pediram 80 reais como taxa de doação. Pensei, pô, valho mais que oitentinha, mas pelo menos ganho uns trocados por um nome amável, por mexerem em minhas partes íntimas... Tiração de sarro dos meus pêlos pubianos e tal... A pessoa que me atendeu disse: “A senhora entendeu errado. É a senhora que paga 80” . Arregalei os olhos.
Acho o seguinte: cadáveres são conservados por anos e anos em formol por falta de outro. Tenho que pagar impostos absurdos, votar em canalhas de ternos e no fim da vida ainda desembolsar outro valor para que conheçam minha corrente sanguínea? (...) Correndo o risco de alguma louca me roubar do necrotério para vender meus órgãos? Pensem comigo: Preferível mesmo é que a terra coma nossos olhos para que não vejam mais uma vez todo esse absurdo!
Acho o seguinte: cadáveres são conservados por anos e anos em formol por falta de outro. Tenho que pagar impostos absurdos, votar em canalhas de ternos e no fim da vida ainda desembolsar outro valor para que conheçam minha corrente sanguínea? (...) Correndo o risco de alguma louca me roubar do necrotério para vender meus órgãos? Pensem comigo: Preferível mesmo é que a terra coma nossos olhos para que não vejam mais uma vez todo esse absurdo!
Por Sofia DeGouges

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