terça-feira, 2 de setembro de 2008

Colunista


O Homem-Porco

Era tão sujo e pestilento que ao sair às ruas os ratos adormeciam nos bueiros e as baratas oravam aos deuses supremos. Seu odor era indistinguível: as plantas sufocavam e os urubus desistiam das carniças da tarde, lançando-se desesperadamente aos rios cristalinos. Certa vez, um forasteiro pediu-lhe uma palavra de norteamento e nunca mais conseguiu formar uma frase completa. Triste fim: encontraram-no perdido de si, completamente malsão e pedindo bis.
Num dia de fragrância soberana acordou os vizinhos com o vapor de sua respiração. Temos que dar um fim nisso, disse um. Temos que matá-lo, conclamou outro. Toda a cidade a postos e determinada a invadir o beco onde pairava aquele ser metade homem, metade suíno. É agora, é agora...
Não se sabe exatamente o que houve. Até hoje os sábios dizem que não se devem atravessar as fronteiras que dividem o mundo da cidade amaldiçoada, onde se especula que mora um só habitante imortal, capaz de executar qualquer ser vivo com um simples levantar do braço. Um deus fétido, praticamente

Por:
DANIEL ZANELLA

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