O Homem-Porco
Era tão sujo e pestilento que ao sair às ruas os ratos adormeciam nos bueiros e as baratas oravam aos deuses supremos. Seu odor era indistinguível: as plantas sufocavam e os urubus desistiam das carniças da tarde, lançando-se desesperadamente aos rios cristalinos. Certa vez, um forasteiro pediu-lhe uma palavra de norteamento e nunca mais conseguiu formar uma frase completa. Triste fim: encontraram-no perdido de si, completamente malsão e pedindo bis.
Num dia de fragrância soberana acordou os vizinhos com o vapor de sua respiração. Temos que dar um fim nisso, disse um. Temos que matá-lo, conclamou outro. Toda a cidade a postos e determinada a invadir o beco onde pairava aquele ser metade homem, metade suíno. É agora, é agora...
Não se sabe exatamente o que houve. Até hoje os sábios dizem que não se devem atravessar as fronteiras que dividem o mundo da cidade amaldiçoada, onde se especula que mora um só habitante imortal, capaz de executar qualquer ser vivo com um simples levantar do braço. Um deus fétido, praticamente
Num dia de fragrância soberana acordou os vizinhos com o vapor de sua respiração. Temos que dar um fim nisso, disse um. Temos que matá-lo, conclamou outro. Toda a cidade a postos e determinada a invadir o beco onde pairava aquele ser metade homem, metade suíno. É agora, é agora...
Não se sabe exatamente o que houve. Até hoje os sábios dizem que não se devem atravessar as fronteiras que dividem o mundo da cidade amaldiçoada, onde se especula que mora um só habitante imortal, capaz de executar qualquer ser vivo com um simples levantar do braço. Um deus fétido, praticamente
Por:
DANIEL ZANELLA
DANIEL ZANELLA

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