
O Frango
O frango cisca elegantemente no mato cinza da marginal da rodovia. Apesar dos ruídos de caminhões carregados de tomates e carros atrasados de seus ofícios, o frango deglute calmamente um qualquer coisa na marginal empoçada da rodovia.
Nobre frango. Vida boa essa de frango. Sua refeição está logo ali onde os humanos passam todos os dias em absoluta indiferença. Quantos dramas, apelos e histórias divididas não cruzam a rodovia enquanto o róseo frango se empapuça de pó, pedras e migalhas automotivas? Um pouco de mato imaculado também.
Quantos não querem ser esse frango? Ao fim da sesta de dia preguiçoso e sol escondido da fumaça, o frango movimenta-se oportunamente até o meio da rodovia. Não há carros em sua direção nos próximos dez segundos. E está com um pouco de azia o frango. Não estava bom aquele trago de plástico e vidro.
Pronto. Penas com sangue decorando a rodovia. Sangue escorrendo até a marginal da rodovia. Foi um frango que nunca fez mal pra ninguém.
O frango cisca elegantemente no mato cinza da marginal da rodovia. Apesar dos ruídos de caminhões carregados de tomates e carros atrasados de seus ofícios, o frango deglute calmamente um qualquer coisa na marginal empoçada da rodovia.
Nobre frango. Vida boa essa de frango. Sua refeição está logo ali onde os humanos passam todos os dias em absoluta indiferença. Quantos dramas, apelos e histórias divididas não cruzam a rodovia enquanto o róseo frango se empapuça de pó, pedras e migalhas automotivas? Um pouco de mato imaculado também.
por:
Daniel Zanella
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