
Era um caso especial de familiaridade: o mais novo era tio do mais velho, filho temporão irmão da mãe do outro.
Trabalhavam no mesmo banco de dia e à noite gostavam de beber, se drogar e sair com garotas fáceis. Na madrugada geralmente um pega com algum outro playboy na volta pra casa. Adrenalina, emoção e aventura era a filosofia de vida do tio e do sobrinho. Gabavam-se efusivamente de um quase acidente fatal quando, a 120 por hora, completamente na contramão cruzaram com outro carro na contramão, na mesma velocidade, no sentido contrário. Olharam-se os pilotos e gargalharam zoando a morte e gozando a vida com muita sorte.
Uma noite não voltaram, o tio com a cabeça esfacelada e o sobrinho com um profundo corte na garganta, quase decapitado. A sorte não ajudou quando, a 140 bateram de frente num muro de pedra. Ao retirarem do local do acidente o que sobrou do carro, uma surpresa; tatuado em baixo relevo na pedra do muro, impresso pela violência da batida, um enorme “U” representou para alguns o riso sinistro da morte, para outros a felicidade de 2 malucos que se foram como sempre quiseram.
Por :
Nelson Emerson
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