sábado, 29 de novembro de 2008

Crônica de Amor

Eu queria escrever uma crônica de amor com tamanho afeto que a minha amada me leria e diria à sua mãe: mãe, ele me ama. E a mãe fitaria os olhos imensamente brilhantes da filha – minha filha, como te quero ver feliz – juntaria as mãos em seu rosto e suspiraria: sim, filha, ele te ama.
Eu queria escrever uma crônica de amor com tamanha delicadeza que as amigas da minha amada leriam e atingidas por palavras de tão grave carinho, diriam às suas amigas todas – não sem algumas pontas livres de inveja rara – ele realmente a ama. E as amigas todas respirariam seus desejos mais recônditos de felicidade e enalteceriam a sorte da amiga.
Eu queria escrever uma crônica de amor com tamanha carga de verdade que aquele que não me conhecesse, me conheceria e diria à companheira diária de décadas: lembra como foi o nosso primeiro encontro? E a mulher sorriria discretamente, passando seus protetores dedos entre os cabelos velhos de seu amado.
Eu queria escrever uma crônica de amor com contornos tão singelos que as crianças ainda mal letradas leriam lentamente, errando algumas pronúncias, rabiscando outras e perguntariam –curiosas – pra professora: professora, o que é o amor? E a professora descansaria os olhos questionadores dos mais novos, quase chorando de uma emoção de ser viva – talvez por não existir resposta assim, simples como a brevidade de existir.
Eu queria escrever uma crônica de amor tão precisa que o crítico literário, até então inerte diante de tantas palavras soltas, diria pra si: não tem muito estilo, mas ele realmente ama. E anotaria no seu rascunho uma frase qualquer que ressoou bem entre tantas emoções expostas e pronunciaria pra sua mulher a noite antes de apagar a luz do fim do dia e dormir.
Eu queria escrever uma crônica de amor com tamanha sutileza que a mulher que há muito não acreditava mais no amor dissesse pra si: ele realmente a ama. E assim lembraria um antigo amigo que sempre lhe quis bem e lhe ligaria na madrugada inédita, enquanto em algum lugar um marido quase traidor refletiria pra si: eu amo a minha mulher. E desistiria de antigos desígnios.
Eu queria escrever uma crônica de amor com tamanha naturalidade que meus netos leriam em suas diversas mocidades e explicariam aos seus herdeiros: era escritor e amava. E as mocinhas em seus primeiros rompantes de ternura perguntariam: alguém me amará assim, pai? E o pai, tão devoto em seu amor genealógico – ainda ontem era tão pequena e menina – diria: sim, minha filha. Provarás desse inominável amor e sei que assim perderei um pouco de ti pra vastidão dos outros. E a filha não entenderia ainda o porquê dos olhos do pai encharcados de uma estranha tristeza biográfica de tempo pouco.
Eu queria escrever uma crônica de amor com tal efeito de prosa que a minha melhor amiga escutaria minha voz a cada frase emitida e perguntaria depois um tanto constrangida: estás a falar de mim? Eu diria: sim, estou a falar de ti, minha imensurável companheira, tão minha e tão longe de mim.
Eu queria escrever uma crônica de amor de tão significante sinceridade que eu mesmo leria em voz alta na sala da minha casa e diria às paredes testemunhas: eu a amo, e pensaria em alguns clichês adequados, como nunca amei ninguém, por exemplo.
Eu queria escrever uma crônica de amor – carregada de tanto amor – que fosse possível enxergar através das letras os lábios amparadores da amada e passar meus dedos lentos e amorosos entre seus cabelos macios, dizendo pausadamente – pra melhor absorção de cada sílaba característica – eu te amo. E mesmo que tudo não passasse de mera imaginação, eu sorriria leve – como meu coração brando de sentimentos tão abertos faz sempre que te vê.

Por Daniel Zanella

Crônica de Amor

Eu queria escrever uma crônica de amor com tamanho afeto que a minha amada me leria e diria à sua mãe: mãe, ele me ama. E a mãe fitaria os olhos imensamente brilhantes da filha – minha filha, como te quero ver feliz – juntaria as mãos em seu rosto e suspiraria: sim, filha, ele te ama.
Eu queria escrever uma crônica de amor com tamanha delicadeza que as amigas da minha amada leriam e atingidas por palavras de tão grave carinho, diriam às suas amigas todas – não sem algumas pontas livres de inveja rara – ele realmente a ama. E as amigas todas respirariam seus desejos mais recônditos de felicidade e enalteceriam a sorte da amiga.
Eu queria escrever uma crônica de amor com tamanha carga de verdade que aquele que não me conhecesse, me conheceria e diria à companheira diária de décadas: lembra como foi o nosso primeiro encontro? E a mulher sorriria discretamente, passando seus protetores dedos entre os cabelos velhos de seu amado.
Eu queria escrever uma crônica de amor com contornos tão singelos que as crianças ainda mal letradas leriam lentamente, errando algumas pronúncias, rabiscando outras e perguntariam –curiosas – pra professora: professora, o que é o amor? E a professora descansaria os olhos questionadores dos mais novos, quase chorando de uma emoção de ser viva – talvez por não existir resposta assim, simples como a brevidade de existir.
Eu queria escrever uma crônica de amor tão precisa que o crítico literário, até então inerte diante de tantas palavras soltas, diria pra si: não tem muito estilo, mas ele realmente ama. E anotaria no seu rascunho uma frase qualquer que ressoou bem entre tantas emoções expostas e pronunciaria pra sua mulher a noite antes de apagar a luz do fim do dia e dormir.
Eu queria escrever uma crônica de amor com tamanha sutileza que a mulher que há muito não acreditava mais no amor dissesse pra si: ele realmente a ama. E assim lembraria um antigo amigo que sempre lhe quis bem e lhe ligaria na madrugada inédita, enquanto em algum lugar um marido quase traidor refletiria pra si: eu amo a minha mulher. E desistiria de antigos desígnios.
Eu queria escrever uma crônica de amor com tamanha naturalidade que meus netos leriam em suas diversas mocidades e explicariam aos seus herdeiros: era escritor e amava. E as mocinhas em seus primeiros rompantes de ternura perguntariam: alguém me amará assim, pai? E o pai, tão devoto em seu amor genealógico – ainda ontem era tão pequena e menina – diria: sim, minha filha. Provarás desse inominável amor e sei que assim perderei um pouco de ti pra vastidão dos outros. E a filha não entenderia ainda o porquê dos olhos do pai encharcados de uma estranha tristeza biográfica de tempo pouco.
Eu queria escrever uma crônica de amor com tal efeito de prosa que a minha melhor amiga escutaria minha voz a cada frase emitida e perguntaria depois um tanto constrangida: estás a falar de mim? Eu diria: sim, estou a falar de ti, minha imensurável companheira, tão minha e tão longe de mim.
Eu queria escrever uma crônica de amor de tão significante sinceridade que eu mesmo leria em voz alta na sala da minha casa e diria às paredes testemunhas: eu a amo, e pensaria em alguns clichês adequados, como nunca amei ninguém, por exemplo.
Eu queria escrever uma crônica de amor – carregada de tanto amor – que fosse possível enxergar através das letras os lábios amparadores da amada e passar meus dedos lentos e amorosos entre seus cabelos macios, dizendo pausadamente – pra melhor absorção de cada sílaba característica – eu te amo. E mesmo que tudo não passasse de mera imaginação, eu sorriria leve – como meu coração brando de sentimentos tão abertos faz sempre que te vê.

Por Daniel Zanella

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O Azarado





Era um cara azarado, definitivamente um urubu devia ter pousado em seu destino, era do tipo que sempre pisava na merda, passarinhos lhe cagavam na cabeça, seu time estava sempre na zona de degola, jamais ganhou no jogo, nem par ou impar. Tinha o hábito de despetalar flores e sempre acabava em “mal me quer”, copa do mundo só assistia sozinho, em casa, a única final que assistiu em grupo foi a da copa da França 3 x 0 Brasil. Ganhou fama de pé-frio.

Apesar disso, a garota mais bonita da escola sempre lhe dera bola. Se comprava um sorvete, um doce, um salgadinho, chegava perto dele e “quer?”. Ele nunca acreditou que ela realmente nutria por ele algum sentimento especial. Ele, o azarado do pedaço, fadado à eterna solidão por causa da nuvem negra que carregava sobre sua cabeça. Um dia ela cansou e lhe disse que o esperaria em casa para aquela que seria sua primeira noite de amor. Deixaria a janela de seu quarto aberta e que ele não faltasse, pois seria para ela o céu despencando sobre sua cabeça. Ele pensou que ela estivesse lhe pregando uma peça mancomunada com a turma de sacanas lá da escola.

Na manhã seguinte ele pensou: e se não fosse armação? E se ela realmente o amasse? Um frio percorreu sua espinha e arrepiou seus pêlos todos. Correu pra casa dela e foi surpreendido pelo carro da polícia e uma ambulância bem em frente. Foi encontrada morta de manhã, tomou veneno a coitadinha. Dizem que morreu virgem... e nua... e com a janela do quarto aberta.



Por:

Nelson Emerson (Rubinho)



O Azarado





Era um cara azarado, definitivamente um urubu devia ter pousado em seu destino, era do tipo que sempre pisava na merda, passarinhos lhe cagavam na cabeça, seu time estava sempre na zona de degola, jamais ganhou no jogo, nem par ou impar. Tinha o hábito de despetalar flores e sempre acabava em “mal me quer”, copa do mundo só assistia sozinho, em casa, a única final que assistiu em grupo foi a da copa da França 3 x 0 Brasil. Ganhou fama de pé-frio.

Apesar disso, a garota mais bonita da escola sempre lhe dera bola. Se comprava um sorvete, um doce, um salgadinho, chegava perto dele e “quer?”. Ele nunca acreditou que ela realmente nutria por ele algum sentimento especial. Ele, o azarado do pedaço, fadado à eterna solidão por causa da nuvem negra que carregava sobre sua cabeça. Um dia ela cansou e lhe disse que o esperaria em casa para aquela que seria sua primeira noite de amor. Deixaria a janela de seu quarto aberta e que ele não faltasse, pois seria para ela o céu despencando sobre sua cabeça. Ele pensou que ela estivesse lhe pregando uma peça mancomunada com a turma de sacanas lá da escola.

Na manhã seguinte ele pensou: e se não fosse armação? E se ela realmente o amasse? Um frio percorreu sua espinha e arrepiou seus pêlos todos. Correu pra casa dela e foi surpreendido pelo carro da polícia e uma ambulância bem em frente. Foi encontrada morta de manhã, tomou veneno a coitadinha. Dizem que morreu virgem... e nua... e com a janela do quarto aberta.



Por:

Nelson Emerson (Rubinho)



quinta-feira, 27 de novembro de 2008

TRANSFIGURAÇÃO



Meu medo é atrativo

Minha calma é irritante

Minha loucura conveniente

E minha sabedoria irrelevante

¨

Minha beleza está oculta

Minha coragem se escondeu

Meu pensamento agonizado

de tão amplo se perdeu.

¨

Meu pensamento agonizado é irrelevante

O meu medo se perdeu

Minha beleza é atrativa

Minha loucura se escondeu.



por:

JOELMA SALGADO

TRANSFIGURAÇÃO



Meu medo é atrativo

Minha calma é irritante

Minha loucura conveniente

E minha sabedoria irrelevante

¨

Minha beleza está oculta

Minha coragem se escondeu

Meu pensamento agonizado

de tão amplo se perdeu.

¨

Meu pensamento agonizado é irrelevante

O meu medo se perdeu

Minha beleza é atrativa

Minha loucura se escondeu.



por:

JOELMA SALGADO

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

De Tanto Ficar Ligado Levei um Choque





De tanto ficar ligado...

Na sua alma de eternidade...

Levei um choque calado...

Com toda a eletricidade!

~

Meu espírito é um fio...

Ligado ao seu corpo inteiro...

Causando arrepio e calafrio...

No seu toque verdadeiro!

~

Elétrica é a minha corrente...

Ligada a sua aura de luz...

Num arco – íris carente...

Do mistério que seduz...

~

Toda sua doce energia,

Que vira pura alegria...

Quando um choque surge em mim...

Por eu estar tão ligado assim...

~

Nesta paixão de fantasia...

Na luz cheia de harmonia!

~

De tanto ficar ligado...

Na sua alma de eternidade...

Levei um choque calado...

Com toda a eletricidade.





Por:

Luciana do Rocio Mallon



De Tanto Ficar Ligado Levei um Choque





De tanto ficar ligado...

Na sua alma de eternidade...

Levei um choque calado...

Com toda a eletricidade!

~

Meu espírito é um fio...

Ligado ao seu corpo inteiro...

Causando arrepio e calafrio...

No seu toque verdadeiro!

~

Elétrica é a minha corrente...

Ligada a sua aura de luz...

Num arco – íris carente...

Do mistério que seduz...

~

Toda sua doce energia,

Que vira pura alegria...

Quando um choque surge em mim...

Por eu estar tão ligado assim...

~

Nesta paixão de fantasia...

Na luz cheia de harmonia!

~

De tanto ficar ligado...

Na sua alma de eternidade...

Levei um choque calado...

Com toda a eletricidade.





Por:

Luciana do Rocio Mallon



segunda-feira, 24 de novembro de 2008

9,80665 m/s²







Foi caindo em slow motion, a quase dez metros por segundo, nunca sentiu a gravidade tão psicodelicamente. O tampinha era invocado e boca dura. Passando pela cabeça histórias reais: infância, adolescência, a primeira namorada, o primeiro beijo, os colegas de escola, o primeiro cigarro, o primeiro porre, saudades da mãe. Encarou e “ tá olhando o que, cara feia?” o pequeno respondeu “nada, nada” e abaixou a cabeça. Agora passa o filme de sua vida adulta: o casamento, os filhos, a família, os mais chegados, seu trabalho, seus bens, suas dívidas, o que vai deixar pros herdeiros? Não precisava humilhar o nanico, tapinha na nuca quando passou, “Sai fora meio quilo de bostinha”, gargalhada da turma. No trajeto, sua cabeça bate na quina da mesa, vira e começa a cair de costas. Fazia tempo que não bebia, pensou que estava de volta às velhas tretas, quando a rapaziada media força no mano a mano, só que os tempos não eram os mesmos. Quando virou na queda, enxergou o teto do bar pintado de branco e sebento, com o acúmulo de anos e anos da fumaça dos cigarros dos bebuns, muitos que ele mesmo fumou enquanto bebia entre os amigos mais queridos. Baixinho, gordinho, sempre sozinho, cansado de humilhações, resolveu comprar a pistola, calibre 380, 15 balas no pente e mais uma na agulha, bastava só umazinha pra calar a boca de valente metido a besta. Na boca vinha o gosto de sangue misturado com ânsia de vômito, na cabeça os momentos difíceis, a perda do pai, o dia que foi despedido, as brigas, o acidente de carro, a doença do filho, a falta de grana. O baixinho não deixou barato, pistola na cinta, se inscreveu em campeonatos de tiro e praticava semanalmente, maravilhosa era a sensação de poder por estar armado... Garantido. Acentuou o gosto de sangue na boca quando a cabeça bateu no chão do bar, tudo ficou vermelho antes de escurecer. O baixinho atirou no peito, do lado esquerdo; não acertou em cheio o coração, mas rompeu artérias importantes, à queima roupa. Os olhos abertos já não enxergam mais. O baixinho entrou num taxi, vai se entregar em 48 horas pra evitar o flagrante, réu primário, bons antecedentes, responderá em liberdade, se condenado, sai logo. Tem algum dinheiro e um bom advogado. A viúva ficou desconsolada.



por:

Nelson Emerson









9,80665 m/s²







Foi caindo em slow motion, a quase dez metros por segundo, nunca sentiu a gravidade tão psicodelicamente. O tampinha era invocado e boca dura. Passando pela cabeça histórias reais: infância, adolescência, a primeira namorada, o primeiro beijo, os colegas de escola, o primeiro cigarro, o primeiro porre, saudades da mãe. Encarou e “ tá olhando o que, cara feia?” o pequeno respondeu “nada, nada” e abaixou a cabeça. Agora passa o filme de sua vida adulta: o casamento, os filhos, a família, os mais chegados, seu trabalho, seus bens, suas dívidas, o que vai deixar pros herdeiros? Não precisava humilhar o nanico, tapinha na nuca quando passou, “Sai fora meio quilo de bostinha”, gargalhada da turma. No trajeto, sua cabeça bate na quina da mesa, vira e começa a cair de costas. Fazia tempo que não bebia, pensou que estava de volta às velhas tretas, quando a rapaziada media força no mano a mano, só que os tempos não eram os mesmos. Quando virou na queda, enxergou o teto do bar pintado de branco e sebento, com o acúmulo de anos e anos da fumaça dos cigarros dos bebuns, muitos que ele mesmo fumou enquanto bebia entre os amigos mais queridos. Baixinho, gordinho, sempre sozinho, cansado de humilhações, resolveu comprar a pistola, calibre 380, 15 balas no pente e mais uma na agulha, bastava só umazinha pra calar a boca de valente metido a besta. Na boca vinha o gosto de sangue misturado com ânsia de vômito, na cabeça os momentos difíceis, a perda do pai, o dia que foi despedido, as brigas, o acidente de carro, a doença do filho, a falta de grana. O baixinho não deixou barato, pistola na cinta, se inscreveu em campeonatos de tiro e praticava semanalmente, maravilhosa era a sensação de poder por estar armado... Garantido. Acentuou o gosto de sangue na boca quando a cabeça bateu no chão do bar, tudo ficou vermelho antes de escurecer. O baixinho atirou no peito, do lado esquerdo; não acertou em cheio o coração, mas rompeu artérias importantes, à queima roupa. Os olhos abertos já não enxergam mais. O baixinho entrou num taxi, vai se entregar em 48 horas pra evitar o flagrante, réu primário, bons antecedentes, responderá em liberdade, se condenado, sai logo. Tem algum dinheiro e um bom advogado. A viúva ficou desconsolada.



por:

Nelson Emerson









Insede (21/11/2008)








quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Quando os Amigos Reais Viram Virtuais
















É comum colegas virtuais...
Virarem grandes amigos reais!
Porém o que causa curiosidade...
É que amigos reais de verdade...

Transformam – se em amigos de Internet...
Nesta vida esquisita , que é uma vedete!
Não dou para os meus amigos reais nenhum telefonema...
Não marco encontros mais , nem sequer um esquema!

Com os amigos reais só falo por mensagens...
Dentro do Orkut em virtuais paisagens!
Uma frase no MSN enche – me de poesia...
Porém não acaba com a minha agonia!

Estes amigos reais viraram virtuais...
Em diversos e místicos canais...
Na Internet e em outros astrais!

Isto é um problema debaixo do pano...
Pois acaba com o contato humano!
Não sinto mais beijos, nem abraços...
E nem os olhares sob os mormaços...

Dos meus ex – colegas de escola e parentes...
Onde estão meus amigos reais viventes?
Eles estão escondidos dentro da Internet,
Que é uma tecnológica marionete!

Quando os amigos reais...
Viram colegas virtuais...
Restam só esperanças espirituais...
Como velas sem castiçais.



por:
Luciana do Rocio Mallon

Quando os Amigos Reais Viram Virtuais
















É comum colegas virtuais...
Virarem grandes amigos reais!
Porém o que causa curiosidade...
É que amigos reais de verdade...

Transformam – se em amigos de Internet...
Nesta vida esquisita , que é uma vedete!
Não dou para os meus amigos reais nenhum telefonema...
Não marco encontros mais , nem sequer um esquema!

Com os amigos reais só falo por mensagens...
Dentro do Orkut em virtuais paisagens!
Uma frase no MSN enche – me de poesia...
Porém não acaba com a minha agonia!

Estes amigos reais viraram virtuais...
Em diversos e místicos canais...
Na Internet e em outros astrais!

Isto é um problema debaixo do pano...
Pois acaba com o contato humano!
Não sinto mais beijos, nem abraços...
E nem os olhares sob os mormaços...

Dos meus ex – colegas de escola e parentes...
Onde estão meus amigos reais viventes?
Eles estão escondidos dentro da Internet,
Que é uma tecnológica marionete!

Quando os amigos reais...
Viram colegas virtuais...
Restam só esperanças espirituais...
Como velas sem castiçais.



por:
Luciana do Rocio Mallon

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Coisas de deus

Tem certas coisas que tenho dúvidas de quem foi o responsável por sua criação. Algo que me alude este tipo de questionamento são justamente os meios de comunicação, a internet, principalmente, é um gigante ponto de interrogação em minha cabeça. Seria a net algo divino?
Podemos encontrar praticamente tudo que queremos na rede, desde informações até produtos. Se quiser uma música ou um filme posso conseguir antes mesmo que seja lançado ou mesmo que esteja nos cinemas. É a rede em nosso benefício!
Mas também é bastante informativo, na verdade, se quiser consigo aprender praticamente tudo o que posso fazer com órgãos genitais na internet... Claro que se dispor de muiiito tempo para isso. É a rede em serviço de nossa informação!
Depois de consegui ilegalmente músicas e filmes, e de ter saciado as mais carnais de minhas vontades, por vezes enfrento um monstro que me incorpora, acesso os sites de compras. Nós nunca temos o que queremos, sempre estamos insatisfeitos. E a mídia não se cansa de repetir, você é o que você tem! Não que eu acredite nas bobageiras das propagandas, mas elas com certeza são coisas do diabo.
Bem vindo a toca do coelho, nossa matrix pessoal. A internet é praticamente um Brasil, é só entrar e podemos cometer uma centena de crimes sem sermos punidos.
Viva, mais uma invenção divina!

por:

Julhis Ferreira





Coisas de deus

Tem certas coisas que tenho dúvidas de quem foi o responsável por sua criação. Algo que me alude este tipo de questionamento são justamente os meios de comunicação, a internet, principalmente, é um gigante ponto de interrogação em minha cabeça. Seria a net algo divino?
Podemos encontrar praticamente tudo que queremos na rede, desde informações até produtos. Se quiser uma música ou um filme posso conseguir antes mesmo que seja lançado ou mesmo que esteja nos cinemas. É a rede em nosso benefício!
Mas também é bastante informativo, na verdade, se quiser consigo aprender praticamente tudo o que posso fazer com órgãos genitais na internet... Claro que se dispor de muiiito tempo para isso. É a rede em serviço de nossa informação!
Depois de consegui ilegalmente músicas e filmes, e de ter saciado as mais carnais de minhas vontades, por vezes enfrento um monstro que me incorpora, acesso os sites de compras. Nós nunca temos o que queremos, sempre estamos insatisfeitos. E a mídia não se cansa de repetir, você é o que você tem! Não que eu acredite nas bobageiras das propagandas, mas elas com certeza são coisas do diabo.
Bem vindo a toca do coelho, nossa matrix pessoal. A internet é praticamente um Brasil, é só entrar e podemos cometer uma centena de crimes sem sermos punidos.
Viva, mais uma invenção divina!

por:

Julhis Ferreira





segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Takes Aleatórios Com Um Continente Desbravado


O senhor de longa barba branca e faixa verde de testa inteira – tal qual um Jesus Superstar – observa uma biografia de Pelé. Eu vi jogar. No Pacaembu, em 64. O Santos vencia por 3x1. Alguma coisa aconteceu e o goleiro do Santos se machucou e precisou sair do jogo. E o Pelé foi pro gol. Eu estava atrás do gol defendido pelo Rei, repondo bola. Então, vi o negão fazer uma defesa inacreditável. Tinha estrela o negão. Uma estrela enorme. E você? Qual é a sua estrela?
Umas mocinhas bem novinhas folheiam algumas revistas de moda ao lado dos expositores de livros de auto-ajuda. Trajam uniformes verdes. Quanto custa essa? E essa? E essa? Ah... Olha que lindo... Ah, o horóscopo... Vamos ler o horóscopo... Deixa eu ver o meu signo... Eu também quero ver... Eu também... As meninas lêem avidamente suas sortes, refletindo coincidências e prognósticos. Menos uma – logo observada por uma das amigas.
Você não vai ler o seu signo?
Não, não acredito nessas coisas.
Duas moças bem bonitas passam o tempo picotando notas fiscais e arejando a mente com outras tarefas tantas no expositor de metro e pouco. Pergunto o que fazem. Pergunto o que gostam. Uma delas me responde.
Ah, eu gosto de medicina.
Uhn... Interessante. Enfermaria, essas coisas?
Sim, sim.
Uhn... Dizem que a pessoa que se interessa por esse tipo de trabalho é muito altruísta.
É? Dizem?Acho que não. Eu gosto de ajudar pessoas, me doar...
A mãe de certa idade, loirice acachapante, cabelos lisos e rosto fino pergunta o que tem de opções de leitura pra seu filho de nove anos.
Que acha do Pequeno Príncipe?
Menos, menos.
Uhn... Tenho esse aqui.
É, parece que serve. A mulher me observa fundo.

Eu te conheço de algum lugar... Não é você que desenvolve um trabalho bem importante com dependentes alcoólicos?
Sorrio – coberto de uma surpresa excêntrica. Não, não sou eu. Ela me olha com uma ironia de lábio esquerdo, mas não diz nada. Foi como se tivesse pensado melhor e se arrependido de confundir-me com tal sublime alcunha.
Três mulheres ao centro e um homem fingindo que lê:
Gosto de livro de liderança. Não gosto de livro de literatura.
Eu também. Gosto de coisa objetiva.
Ui, não sei como tem gente que agüenta ficar lendo essas coisas.
A mãe bem novinha pega um livro infantil sobre engenharia na prateleira mais alta. Olha só... A filha – pequenininha, de uns três anos, no máximo – chega pisando lentamente sob seu sapatinho vermelho.
Filha, o que você quer ser quando crescer?
Uhn?
Filha, o que você disse agora pouco que queria ser quando crescer?
Porque você quer saber, mãe?
Filha... Diga pra mim... Te mostro uma coisa...
O que, mãe?
...
Tá bom, mãe... Eu quero ser engenheira.
A mãe abre um imenso sorriso, de uma candura que só as mães se permitem.
Olha esse livro, então...
Agora, o leitor há de entender a dificuldade emotiva do cronista em descrever cenas de paixão pelos livros. Mas uma tentativa descritiva não deixa de ser válida, apesar de alguma afetação: diante dos olhos incandescentes da menina e de suas mãos ligeiras abraçando um livro quase maior que o seu todo, parecia que eu estava a ver um continente se abrindo perante uma tropa de letras.



Por:


Daniel Zanella

Takes Aleatórios Com Um Continente Desbravado


O senhor de longa barba branca e faixa verde de testa inteira – tal qual um Jesus Superstar – observa uma biografia de Pelé. Eu vi jogar. No Pacaembu, em 64. O Santos vencia por 3x1. Alguma coisa aconteceu e o goleiro do Santos se machucou e precisou sair do jogo. E o Pelé foi pro gol. Eu estava atrás do gol defendido pelo Rei, repondo bola. Então, vi o negão fazer uma defesa inacreditável. Tinha estrela o negão. Uma estrela enorme. E você? Qual é a sua estrela?
Umas mocinhas bem novinhas folheiam algumas revistas de moda ao lado dos expositores de livros de auto-ajuda. Trajam uniformes verdes. Quanto custa essa? E essa? E essa? Ah... Olha que lindo... Ah, o horóscopo... Vamos ler o horóscopo... Deixa eu ver o meu signo... Eu também quero ver... Eu também... As meninas lêem avidamente suas sortes, refletindo coincidências e prognósticos. Menos uma – logo observada por uma das amigas.
Você não vai ler o seu signo?
Não, não acredito nessas coisas.
Duas moças bem bonitas passam o tempo picotando notas fiscais e arejando a mente com outras tarefas tantas no expositor de metro e pouco. Pergunto o que fazem. Pergunto o que gostam. Uma delas me responde.
Ah, eu gosto de medicina.
Uhn... Interessante. Enfermaria, essas coisas?
Sim, sim.
Uhn... Dizem que a pessoa que se interessa por esse tipo de trabalho é muito altruísta.
É? Dizem?Acho que não. Eu gosto de ajudar pessoas, me doar...
A mãe de certa idade, loirice acachapante, cabelos lisos e rosto fino pergunta o que tem de opções de leitura pra seu filho de nove anos.
Que acha do Pequeno Príncipe?
Menos, menos.
Uhn... Tenho esse aqui.
É, parece que serve. A mulher me observa fundo.

Eu te conheço de algum lugar... Não é você que desenvolve um trabalho bem importante com dependentes alcoólicos?
Sorrio – coberto de uma surpresa excêntrica. Não, não sou eu. Ela me olha com uma ironia de lábio esquerdo, mas não diz nada. Foi como se tivesse pensado melhor e se arrependido de confundir-me com tal sublime alcunha.
Três mulheres ao centro e um homem fingindo que lê:
Gosto de livro de liderança. Não gosto de livro de literatura.
Eu também. Gosto de coisa objetiva.
Ui, não sei como tem gente que agüenta ficar lendo essas coisas.
A mãe bem novinha pega um livro infantil sobre engenharia na prateleira mais alta. Olha só... A filha – pequenininha, de uns três anos, no máximo – chega pisando lentamente sob seu sapatinho vermelho.
Filha, o que você quer ser quando crescer?
Uhn?
Filha, o que você disse agora pouco que queria ser quando crescer?
Porque você quer saber, mãe?
Filha... Diga pra mim... Te mostro uma coisa...
O que, mãe?
...
Tá bom, mãe... Eu quero ser engenheira.
A mãe abre um imenso sorriso, de uma candura que só as mães se permitem.
Olha esse livro, então...
Agora, o leitor há de entender a dificuldade emotiva do cronista em descrever cenas de paixão pelos livros. Mas uma tentativa descritiva não deixa de ser válida, apesar de alguma afetação: diante dos olhos incandescentes da menina e de suas mãos ligeiras abraçando um livro quase maior que o seu todo, parecia que eu estava a ver um continente se abrindo perante uma tropa de letras.



Por:


Daniel Zanella

domingo, 16 de novembro de 2008

Bom Dia



Abro os olhos e rolo pro lado. Tudo bem, nenhuma dor. Fico em pé e tudo bem, nenhuma dor. Penso, procuro me lembrar da noite anterior, tudo bem, nenhuma dor. Sedentário e quarentão, tenho que ir recuperando o ritmo devagar, meus tendões podem simplesmente endurecer e o torcicolo tornar-se inevitável. Espreguiço, respiro fundo e visto o roupão, nenhuma dor.

Na porta do banheiro já penso naquele café que tomarei em instantes que me deixará pleno de disposição para começar um belo dia de sol. Vou à cozinha e ligo a cafeteira. A temperatura do banho está ótima, se alguma coisa funciona bem no meu prédio é a pressão perfeita da água caindo sobre minhas costas. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhnnn!

Sorrio para a imagem do espelho, um minuto, para fortalecer a musculatura facial. Alongamento na sala e finalmente tomo aquele café enquanto confiro as manchetes no laptop e na televisão. Nada de pânico, já me acostumei com notícias ruins. Respondo e-mails, scraps, uma passadinha nos meus blogs favoritos e pronto: Estou atrasado de novo! Decido que este é o momento crucial para controlar meu stress e simplesmente recuso entregar-me a ele. Funciona!

Uma batidinha de água na caneca, tranco a porta e pego o elevador com aquele vizinho que nunca me dá bom dia. Decidido, em tom alto, claro e absolutamente educado comento: "como é bonito seu cachorrinho, que raça é?" Pronto, no térreo já ganhei um amigo. Dois, se contar o vizinho.

Meu carro pega de primeira, nenhuma dor. Sigo pro trabalho com o pensamento elevado e firme: hoje todos os sinais estarão abertos pra mim!

Por :

Luiz Ferreira

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Bom Dia



Abro os olhos e rolo pro lado. Tudo bem, nenhuma dor. Fico em pé e tudo bem, nenhuma dor. Penso, procuro me lembrar da noite anterior, tudo bem, nenhuma dor. Sedentário e quarentão, tenho que ir recuperando o ritmo devagar, meus tendões podem simplesmente endurecer e o torcicolo tornar-se inevitável. Espreguiço, respiro fundo e visto o roupão, nenhuma dor.

Na porta do banheiro já penso naquele café que tomarei em instantes que me deixará pleno de disposição para começar um belo dia de sol. Vou à cozinha e ligo a cafeteira. A temperatura do banho está ótima, se alguma coisa funciona bem no meu prédio é a pressão perfeita da água caindo sobre minhas costas. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhnnn!

Sorrio para a imagem do espelho, um minuto, para fortalecer a musculatura facial. Alongamento na sala e finalmente tomo aquele café enquanto confiro as manchetes no laptop e na televisão. Nada de pânico, já me acostumei com notícias ruins. Respondo e-mails, scraps, uma passadinha nos meus blogs favoritos e pronto: Estou atrasado de novo! Decido que este é o momento crucial para controlar meu stress e simplesmente recuso entregar-me a ele. Funciona!

Uma batidinha de água na caneca, tranco a porta e pego o elevador com aquele vizinho que nunca me dá bom dia. Decidido, em tom alto, claro e absolutamente educado comento: "como é bonito seu cachorrinho, que raça é?" Pronto, no térreo já ganhei um amigo. Dois, se contar o vizinho.

Meu carro pega de primeira, nenhuma dor. Sigo pro trabalho com o pensamento elevado e firme: hoje todos os sinais estarão abertos pra mim!

Por :

Luiz Ferreira

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O Dia Em Que Coloquei uma Camiseta do Che Guevara


No começo dos anos noventa eu trabalhava de contínua em uma loja . Um certo dia, a filha pequena de uma cliente derramou café em cima da minha roupa e fiquei desesperada, pois não poderia fazer o meu serviço com a camiseta suja. Então uma das funcionárias disse:

- Tenho uma idéia : o Marcelo , o ex-office boy deixou uma camiseta velha no porão.

Desta maneira, fui até o local e vi uma camiseta pendurada do lado de avesso. Porém ,quando fui arrumar a roupa, me espantei ao ver que a peça tinha uma foto do Che Guevara estampada. Achei que seria estranho para uma pessoa, como eu, sair com uma camiseta destas pelas ruas .Mas, depois, pensei :

- É melhor sair com uma camiseta do Che Guevara do que com uma camiseta suja .

Assim vesti esta roupa e fui fazer o serviço externo da firma .

No meio do caminho, passei por um casal de hippies e o homem comentou :

- Aí vai mais uma patricinha vestindo uma camiseta do Che Guevara, só porque agora ele virou pop .

- Maldito capitalismo!

Ao virar a esquina, observei dois policiais fardados que disseram o seguinte, quando me viram:

- Poxa, ao ver esta moçada vestindo camiseta de Che Guevara, sinto uma saudade da época em que nas escolas ensinavam que comunista comia criancinha .

- Agora as pessoas usam camisetas com fotos de comunistas!

- Este mundo está perdido!

- Será que esta juventude não tem vergonha de exaltar uma pessoa como Che Guevara?

Após isto, fui até a um banco, localizado ao lado de uma rua de prostituição. Naquele local, uma das garotas de programa exclamou :

- Nossa!

- Que gato na estampa da camiseta da menina!

- Com ele, eu faria programa de graça!

Depois deste outro incidente, fui entregar uma encomenda no prédio de uma freguesa, que ficava ao lado da reitoria de uma universidade. No caminho, uma professora universitária me viu e exclamou :

- Que fantástico!

- Uma camiseta de Che Guevara!

- Onde você comprou?

- Eu queria tanto ter uma assim ...

Na mesma hora eu disse :

- Mas a senhora pode ter esta camiseta!

- Que tal trocarmos?

- A senhora fica com a minha camiseta de Che Guevara e eu fico com esta sua camiseta listrada em preto e branco.

Fomos atrás de um beco deserto e fizemos a troca .

Ao chegar na loja em que eu trabalhava, uma das funcionárias exclamou :

- O que aconteceu com a sua camiseta de Che Guevara?

- Por que está com esta camiseta listrada, que parece uniforme de presidiário?

- Não vai me disser que você foi presa por usar uma camiseta com um comunista na estampa?

Nem respondi aquelas perguntas, apenas dei uma gargalhada.



por:
Luciana do Rocio Mallon