sábado, 30 de maio de 2009

Bexigas Negras No Cemitério e a Estátua Vidente


Ângela era uma donzela que morava em Curitiba e não acreditava em esoterismo . Um certo dia , ela foi ao centro da cidade e viu algo curioso na Rua Quinze de Novembro : um homem fantasiado de estátua , com uma sacola de pano e um cartaz :

- Estátua Vidente :

- Derrube uma moeda no meu pote , que eu tiro cartas de tarô e leio a sua sorte .

Então , mesmo sendo atéia , a jovem aproximou – se da figura e jogou um real na caixa . Assim a estátua mexeu – se , mostrou a sacola e disse :

- Agora enfie a mão no saco e pegue três cartas .

A primeira carta que a moça tirou foi o enamorado , a segunda foi a morte e a terceira foi a estrela . Desta forma o cartomante explicou :

- Estas seqüências de cartas significam que hoje você passará por uma ilusão , depois cortará uma fase em sua vida para começar outra e após tudo isto seu sucesso brilhará . Pois a carta do enamorado significa ilusão , a da morte quer dizer mudança e a estrela é o sucesso .

Ângela não acreditou , saiu de mansinho e foi até a academia onde estudava , localizada atrás do cemitério municipal . Quando estava passando na rua do campo – santo , ela avistou um menino vendendo bexigas pretas , que exclamou :

- Moça , compra uma bexiga preta ?!

- Por favor , leve um balão escuro para enfeitar o túmulo do seu parente querido ...

Desta maneira a donzela indagou :

- Bolas de ar escuras ?

- O pessoal compra estas bexigas , mesmo ?!

O menino explicou :

- Antes minha família vendia flores aqui , mas vieram outros floristas , a concorrência aumentou e tivemos que desistir do negócio . Depois meus parentes passaram a vender velas , aqui em frente ao cemitério , porém outras criaturas fizeram a mesma coisa . Agora minha família teve a idéia de vender bolas de ar escuras .

Apo ouvir isto a jovem ficou com pena do garoto e comprou o balão . Uma quadra adiante do cemitério , ela avistou uma menina muito pálida que aproximou – se e falou :

- Moça , me dá esta bola ?

- É que eu parti no dia do meu aniversário e nem na festa eu consegui ficar ...

Ângela não entendeu o que aquela criança quis dizer , mas mesmo assim deu a bexiga para ela . Deste jeito a moça entrou na academia e assistiu a sua aula .

Na volta , a jovem pensou :

- Será que as pessoas compram bexigas escuras e colocam nos túmulos dos seus entes queridos ?

A donzela entrou no cemitério para confirmar . Assim ela percebeu que algumas tumbas estavam enfeitadas com bexigas . Até que Ângela aproximou – se de um túmulo enfeitado com um destes balões , viu a foto de uma garota e percebeu que era da mesma menina que tinha pedido a bola . Deste jeito a jovem leu a data de nascimento e morte daquela criança : 13.08.2000 – 13.08.2007 . Logo a donzela pensou consigo mesma :

- Nossa !

- Esta garota , realmente , morreu no dia do seu aniversário !

- Hoje é dia treze de agosto de 2008 !

- Será que tudo isto está relacionado com a previsão que a estátua fez ?

- Será que vi um fantasma , uma ilusão ?!

De repente a bexiga se estourou e dentro dela saiu um bilhete . Ângela pegou o papel e leu :

“ – Os bons são como os sonhos : morrem cedo , mas nunca envelhecem . Pois ficam guardados com frescor no limbo e sempre retornam . “


Por:

Luciana do Rocio Mallon

Bexigas Negras No Cemitério e a Estátua Vidente


Ângela era uma donzela que morava em Curitiba e não acreditava em esoterismo . Um certo dia , ela foi ao centro da cidade e viu algo curioso na Rua Quinze de Novembro : um homem fantasiado de estátua , com uma sacola de pano e um cartaz :

- Estátua Vidente :

- Derrube uma moeda no meu pote , que eu tiro cartas de tarô e leio a sua sorte .

Então , mesmo sendo atéia , a jovem aproximou – se da figura e jogou um real na caixa . Assim a estátua mexeu – se , mostrou a sacola e disse :

- Agora enfie a mão no saco e pegue três cartas .

A primeira carta que a moça tirou foi o enamorado , a segunda foi a morte e a terceira foi a estrela . Desta forma o cartomante explicou :

- Estas seqüências de cartas significam que hoje você passará por uma ilusão , depois cortará uma fase em sua vida para começar outra e após tudo isto seu sucesso brilhará . Pois a carta do enamorado significa ilusão , a da morte quer dizer mudança e a estrela é o sucesso .

Ângela não acreditou , saiu de mansinho e foi até a academia onde estudava , localizada atrás do cemitério municipal . Quando estava passando na rua do campo – santo , ela avistou um menino vendendo bexigas pretas , que exclamou :

- Moça , compra uma bexiga preta ?!

- Por favor , leve um balão escuro para enfeitar o túmulo do seu parente querido ...

Desta maneira a donzela indagou :

- Bolas de ar escuras ?

- O pessoal compra estas bexigas , mesmo ?!

O menino explicou :

- Antes minha família vendia flores aqui , mas vieram outros floristas , a concorrência aumentou e tivemos que desistir do negócio . Depois meus parentes passaram a vender velas , aqui em frente ao cemitério , porém outras criaturas fizeram a mesma coisa . Agora minha família teve a idéia de vender bolas de ar escuras .

Apo ouvir isto a jovem ficou com pena do garoto e comprou o balão . Uma quadra adiante do cemitério , ela avistou uma menina muito pálida que aproximou – se e falou :

- Moça , me dá esta bola ?

- É que eu parti no dia do meu aniversário e nem na festa eu consegui ficar ...

Ângela não entendeu o que aquela criança quis dizer , mas mesmo assim deu a bexiga para ela . Deste jeito a moça entrou na academia e assistiu a sua aula .

Na volta , a jovem pensou :

- Será que as pessoas compram bexigas escuras e colocam nos túmulos dos seus entes queridos ?

A donzela entrou no cemitério para confirmar . Assim ela percebeu que algumas tumbas estavam enfeitadas com bexigas . Até que Ângela aproximou – se de um túmulo enfeitado com um destes balões , viu a foto de uma garota e percebeu que era da mesma menina que tinha pedido a bola . Deste jeito a jovem leu a data de nascimento e morte daquela criança : 13.08.2000 – 13.08.2007 . Logo a donzela pensou consigo mesma :

- Nossa !

- Esta garota , realmente , morreu no dia do seu aniversário !

- Hoje é dia treze de agosto de 2008 !

- Será que tudo isto está relacionado com a previsão que a estátua fez ?

- Será que vi um fantasma , uma ilusão ?!

De repente a bexiga se estourou e dentro dela saiu um bilhete . Ângela pegou o papel e leu :

“ – Os bons são como os sonhos : morrem cedo , mas nunca envelhecem . Pois ficam guardados com frescor no limbo e sempre retornam . “


Por:

Luciana do Rocio Mallon

sexta-feira, 29 de maio de 2009

1ª Tentativa frustrada de um quase Soneto


Soneto de principiante
Não soa como deveria
Soneto de principiante
Soa como porcaria

Soneto de principiante
Não devia nem de ser lido
Soneto de principiante
Joga fora ou põe escondido

Mas que bela porcaria
Isto nem da um soneto
Como então que se faria ?

Dizer-lhe-ei como se faz
Faz-se iguais aos de Vinicius
De Vinicius de Moraes


Por:
Vinicius Marçal

1ª Tentativa frustrada de um quase Soneto


Soneto de principiante
Não soa como deveria
Soneto de principiante
Soa como porcaria

Soneto de principiante
Não devia nem de ser lido
Soneto de principiante
Joga fora ou põe escondido

Mas que bela porcaria
Isto nem da um soneto
Como então que se faria ?

Dizer-lhe-ei como se faz
Faz-se iguais aos de Vinicius
De Vinicius de Moraes


Por:
Vinicius Marçal

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Pod Cast do Cruz Credo news

Depois de muitas falacias o Pod Cast do Cruz Credo news vai sair!!!
Eu, Hiderson, juntamente com um bando de gente estamos nos organizando para que saia o primeiro para dia 20 de Junho, em carácter experimental.

________________________________
Segue, a baixo, a "promo" do primeiro:



Mais informações em breve!

por:
Hidersox

Pod Cast do Cruz Credo news

Depois de muitas falacias o Pod Cast do Cruz Credo news vai sair!!!
Eu, Hiderson, juntamente com um bando de gente estamos nos organizando para que saia o primeiro para dia 20 de Junho, em carácter experimental.

________________________________
Segue, a baixo, a "promo" do primeiro:



Mais informações em breve!

por:
Hidersox

Araucária


Por:
Victor Amaral

Araucária


Por:
Victor Amaral

quarta-feira, 27 de maio de 2009

La Cancion Inesperada Ou A Vida É Loucamente Doce, Minha Querida


Quinta-feira. O John Bull Pub está prestes a receber em seu palco um dos maiores nomes do rock nacional. Wander Wildner, ex-vocalista da banda Replicantes e ícone absoluto do punk brega, tocará daqui a pouco as músicas da turnê de seu novo álbum, “La Cancion Inesperada”. A expectativa está distribuída em todo o bar. Grupos das mais diversas estirpes especulam nas mesas o repertório a seguir. A minha pedida é “Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo”. Se tocar essa, já sou um pinto feliz. (A primeira madrugada em que ouvi essa música estava em terra estrangeira, passava fome e garoava solidão.)

Wander Wildner entra no palco e jovens gritentos se acotovelam em sua frente. Muitos deles. Aqui no cantinho está bom pra mim.

- “La Cancion Inesperada”

A canção inesperada/ De um amor inesperado.

Wander Wildner está no palco e pede pra que aplaudam a banda de apoio. Mais. Mais aplausos. Exijo respeito aos meus amigos, diz ele. Não aplaudo por puro despeito, mas sinto-me como se observado por ele.

- “Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo”

Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo/ Parece uma grande bobagem, mas é o que eu sinto quando estou voando e eu tô voando.

Wander Wildner usa uma camisa com dois botões abertos abaixo do pescoço. Não é exatamente um astro de traços elegantes. Mas é um astro que se irrita com um fã que insiste em pedir a música “Astronauta”. “Astronauta” é o caralho, é a singela resposta. Sou um pinto feliz. E um homem apaixonado.

- “Bebendo Vinho”

Eu vivo sozinho e apaixonado/ Não tenho ninguém aqui do meu lado.../ Vou me entorpecer bebendo vinho/ Eu sigo só o meu caminho.

A platéia grita Wander!Wander! até os pulmões mudarem de dono. Num espanhol falsificado, Wander Wildner diz que a platéia não entende nada de música. Porque não se trata de mim. Se trata da canção. A canção é que fica. Entendem?

- “Candy”

Doce, doce, doce /Eu não deixarei você partir/ Toda a minha vida você me perseguiu/ Eu te amo demais/ A vida é loucamente doce, querida.

Algumas vezes, chego a acreditar que esta canção do Iggy Pop é a mais singela composição de tudo o que há de sonoro. Também estou a acreditar que me emociono muito fácil. Ainda ouviremos juntos essa canção, minha companheira seleta, ainda ouviremos.

- “Eu Não consigo Ser Alegre O Tempo Inteiro”

Você sempre surge em minha mente
Sempre você e ninguém mais
É de você que eu me lembro
Sempre você e ninguém mais
E ninguém mais, e ninguém mais

...

Eu sempre tento e não consigo
Então, às vezes quando a noite chega
Eu fico só comigo mesmo
E só me resta a saudade como companhia
Como companhia


Você diz que não me quer mais
E que agora eu sou seu grande amigo
Você me quer só a metade
Mas pra mim você está em toda a parte
Em toda a parte

- “Rodando El Mundo/ Pára-quedas do Coração”

Y tiengo um paraquedas para te salvar/ Porque trago um paraquedas em mi corazón.

Wander Wildner está novamente a falar numa língua específica. Tentarei traduzir. Porque também falo em espanhol? Porque somos latino-americanos. Somos todos do mesmo sangue fervente. Não concordam? Então, vão tomar no culo.

- “Lugar do Caralho”

Eu preciso encontrar/ Um lugar legal pra mim/ Dançar e me escabelar/ Tem que ter um som legal/ Tem que ter gente legal/ E ter cerveja barata.

O gaúcho Flavio Basso, do Júpiter Maçã e de outros cultuados projetos do rock nacional, escreveu essa canção pitoresca como se num tour lisérgico. É uma canção poderosa – porque vigora honestidade. E sinto-me transportado. E os entorpecentes que consumi até agora estão todos dentro da lei.

- “Surfista Calhorda”

Ah, surfista calhorda, vai surfar n'outra borda.

É a última música. E é uma pancadaria sonora esquizofrênica. É a última música. Não sei o que se passa comigo e não sei porque essas canções, algumas até rudimentares, me fascinam tanto. Transcorre em mim uma necessidade cíclica de me haver com os instintos mais ancestrais, de absorver energia sem parâmetros estéticos, técnicos, algo telúrico mesmo. Uma vontade insana de não ser.

Por quê? Porque assim é.

Só tem uma coisa, Wander: não é por causa disso que irei pedir autógrafo e nem porque estou a dois metros de ti, aqui na salinha improvisada de imprensa, que irei até você. Basta daqui. Será que você é rei, como diz meu amigo ao lado? Só te ouço no palco. Lá posso acreditar. Lá és o dono da igreja. Aqui fora, somos iguais. E aqui fora não estou possesso.

Wander Wildner está alcoolizado e degustando avidamente uma tábua colorida de frios na mesa. Também tenho fome.

Daniel Zanella

La Cancion Inesperada Ou A Vida É Loucamente Doce, Minha Querida


Quinta-feira. O John Bull Pub está prestes a receber em seu palco um dos maiores nomes do rock nacional. Wander Wildner, ex-vocalista da banda Replicantes e ícone absoluto do punk brega, tocará daqui a pouco as músicas da turnê de seu novo álbum, “La Cancion Inesperada”. A expectativa está distribuída em todo o bar. Grupos das mais diversas estirpes especulam nas mesas o repertório a seguir. A minha pedida é “Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo”. Se tocar essa, já sou um pinto feliz. (A primeira madrugada em que ouvi essa música estava em terra estrangeira, passava fome e garoava solidão.)

Wander Wildner entra no palco e jovens gritentos se acotovelam em sua frente. Muitos deles. Aqui no cantinho está bom pra mim.

- “La Cancion Inesperada”

A canção inesperada/ De um amor inesperado.

Wander Wildner está no palco e pede pra que aplaudam a banda de apoio. Mais. Mais aplausos. Exijo respeito aos meus amigos, diz ele. Não aplaudo por puro despeito, mas sinto-me como se observado por ele.

- “Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo”

Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo/ Parece uma grande bobagem, mas é o que eu sinto quando estou voando e eu tô voando.

Wander Wildner usa uma camisa com dois botões abertos abaixo do pescoço. Não é exatamente um astro de traços elegantes. Mas é um astro que se irrita com um fã que insiste em pedir a música “Astronauta”. “Astronauta” é o caralho, é a singela resposta. Sou um pinto feliz. E um homem apaixonado.

- “Bebendo Vinho”

Eu vivo sozinho e apaixonado/ Não tenho ninguém aqui do meu lado.../ Vou me entorpecer bebendo vinho/ Eu sigo só o meu caminho.

A platéia grita Wander!Wander! até os pulmões mudarem de dono. Num espanhol falsificado, Wander Wildner diz que a platéia não entende nada de música. Porque não se trata de mim. Se trata da canção. A canção é que fica. Entendem?

- “Candy”

Doce, doce, doce /Eu não deixarei você partir/ Toda a minha vida você me perseguiu/ Eu te amo demais/ A vida é loucamente doce, querida.

Algumas vezes, chego a acreditar que esta canção do Iggy Pop é a mais singela composição de tudo o que há de sonoro. Também estou a acreditar que me emociono muito fácil. Ainda ouviremos juntos essa canção, minha companheira seleta, ainda ouviremos.

- “Eu Não consigo Ser Alegre O Tempo Inteiro”

Você sempre surge em minha mente
Sempre você e ninguém mais
É de você que eu me lembro
Sempre você e ninguém mais
E ninguém mais, e ninguém mais

...

Eu sempre tento e não consigo
Então, às vezes quando a noite chega
Eu fico só comigo mesmo
E só me resta a saudade como companhia
Como companhia


Você diz que não me quer mais
E que agora eu sou seu grande amigo
Você me quer só a metade
Mas pra mim você está em toda a parte
Em toda a parte

- “Rodando El Mundo/ Pára-quedas do Coração”

Y tiengo um paraquedas para te salvar/ Porque trago um paraquedas em mi corazón.

Wander Wildner está novamente a falar numa língua específica. Tentarei traduzir. Porque também falo em espanhol? Porque somos latino-americanos. Somos todos do mesmo sangue fervente. Não concordam? Então, vão tomar no culo.

- “Lugar do Caralho”

Eu preciso encontrar/ Um lugar legal pra mim/ Dançar e me escabelar/ Tem que ter um som legal/ Tem que ter gente legal/ E ter cerveja barata.

O gaúcho Flavio Basso, do Júpiter Maçã e de outros cultuados projetos do rock nacional, escreveu essa canção pitoresca como se num tour lisérgico. É uma canção poderosa – porque vigora honestidade. E sinto-me transportado. E os entorpecentes que consumi até agora estão todos dentro da lei.

- “Surfista Calhorda”

Ah, surfista calhorda, vai surfar n'outra borda.

É a última música. E é uma pancadaria sonora esquizofrênica. É a última música. Não sei o que se passa comigo e não sei porque essas canções, algumas até rudimentares, me fascinam tanto. Transcorre em mim uma necessidade cíclica de me haver com os instintos mais ancestrais, de absorver energia sem parâmetros estéticos, técnicos, algo telúrico mesmo. Uma vontade insana de não ser.

Por quê? Porque assim é.

Só tem uma coisa, Wander: não é por causa disso que irei pedir autógrafo e nem porque estou a dois metros de ti, aqui na salinha improvisada de imprensa, que irei até você. Basta daqui. Será que você é rei, como diz meu amigo ao lado? Só te ouço no palco. Lá posso acreditar. Lá és o dono da igreja. Aqui fora, somos iguais. E aqui fora não estou possesso.

Wander Wildner está alcoolizado e degustando avidamente uma tábua colorida de frios na mesa. Também tenho fome.

Daniel Zanella

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O Excelente Poeta Não Possui Talento , Tem “Talendo “


O poeta bom de verdade ...

E cheio de originalidade ...



Através do sentimento ...

Não possui talento ...

Mas tem “talendo” !



Pois sempre quando escreve algo ...

Seja em casa , na escola , no palco ...

Na rua , na cadeia ou na garagem ...

Sempre há alguém para ler sua mensagem !



Se ele escreve no guardanapo com tom ...

E até o discreto e educado garçom ...

Pede para ler o seu curioso verso ...

Este poeta tem “talendo” no universo !



Se ele escreve no coletivo ...

E o motorista sentindo – se vivo ...

Pede para ler os seus rabiscos ,

Simpáticos e nada ariscos ,



É sinal que o poeta tem “talendo” ,

Que não voa com o vento !

Se ele escreve sob a luz da Lua ...

E até a estrela nua ...



Porém divina , pura e fiel ...

Pede para ler o seu papel ...

É sinal de que o poeta tem “talendo” ...

E nunca viverá um tormento !



Tem sempre alguém querendo ler ...

Os versos de um poeta excelente ,

Que nunca morre ao escurecer ...

Pois tem o dom de animar muita gente .



por:
Luciana do Rocio Mallon

O Excelente Poeta Não Possui Talento , Tem “Talendo “


O poeta bom de verdade ...

E cheio de originalidade ...



Através do sentimento ...

Não possui talento ...

Mas tem “talendo” !



Pois sempre quando escreve algo ...

Seja em casa , na escola , no palco ...

Na rua , na cadeia ou na garagem ...

Sempre há alguém para ler sua mensagem !



Se ele escreve no guardanapo com tom ...

E até o discreto e educado garçom ...

Pede para ler o seu curioso verso ...

Este poeta tem “talendo” no universo !



Se ele escreve no coletivo ...

E o motorista sentindo – se vivo ...

Pede para ler os seus rabiscos ,

Simpáticos e nada ariscos ,



É sinal que o poeta tem “talendo” ,

Que não voa com o vento !

Se ele escreve sob a luz da Lua ...

E até a estrela nua ...



Porém divina , pura e fiel ...

Pede para ler o seu papel ...

É sinal de que o poeta tem “talendo” ...

E nunca viverá um tormento !



Tem sempre alguém querendo ler ...

Os versos de um poeta excelente ,

Que nunca morre ao escurecer ...

Pois tem o dom de animar muita gente .



por:
Luciana do Rocio Mallon

sexta-feira, 15 de maio de 2009

SUICIDA FILHO DA PUTA­­­­­­­­

Morreu.
Malvado filho da puta e craqueiro.
Traficava e vendia tudo malhado e misturado e mal servido.
Caloteiro nunca pagou ninguém.
Contaminado, fez questão de infectar o maior número de pessoas posssível.
Ladrão e assassino, nunca deixou ninguém se atravessar entre ele e seus objetivos.
Queria poder e poder foder todo mundo, sempre foi o melhor amigo do inimigo número um, um crápula, explorador dos indefesos; venderia sua própria mãe, se não a tivesse internado em um asilo público de péssima reputação a troco de interditar a velha para ficar com sua pensão, sem pudor nem falso moralismo. Aliás, falsidade era algo que nele encontrou o mais apropriado habitat para desenvolver suas vertentes mais sombrias, os seus filhotes mais maldosos: a corrupção, a demagogia e a mentira deslavada. Hipócrita bom de bico, ludibriava velhinhos para surrupiar-lhes a parca pensão mensal do INSS. Esperava na fila o mais debilitado, o mais lesado, o mais prá lá do que pra cá e atacava. Era bilhete premiado, era o conto do dólar preto, era terreno na lua e caso não caíssem na sua lábia, em minutos levava a grana na simplicidade da mão grande e cavalo louco, ou seja, em troca de sopapos e correria. Nunca via vacas magras.
Acreditou ser o maioral, o bambambam. Resolveu ficar com mais do que lhe era permitido. Ao tentar subir vários degraus na hierarquia do crime, foi encontrado morto num quarto imundo de hotel de quinta. “Foi suicídio”, constatou o delegado após verificar minuciosamente os três balaços na cabeça. Ninguém contestou a autoridade. Afinal, morreu tá morto. Foi.

Por:

Nelson Emerson

SUICIDA FILHO DA PUTA­­­­­­­­

Morreu.
Malvado filho da puta e craqueiro.
Traficava e vendia tudo malhado e misturado e mal servido.
Caloteiro nunca pagou ninguém.
Contaminado, fez questão de infectar o maior número de pessoas posssível.
Ladrão e assassino, nunca deixou ninguém se atravessar entre ele e seus objetivos.
Queria poder e poder foder todo mundo, sempre foi o melhor amigo do inimigo número um, um crápula, explorador dos indefesos; venderia sua própria mãe, se não a tivesse internado em um asilo público de péssima reputação a troco de interditar a velha para ficar com sua pensão, sem pudor nem falso moralismo. Aliás, falsidade era algo que nele encontrou o mais apropriado habitat para desenvolver suas vertentes mais sombrias, os seus filhotes mais maldosos: a corrupção, a demagogia e a mentira deslavada. Hipócrita bom de bico, ludibriava velhinhos para surrupiar-lhes a parca pensão mensal do INSS. Esperava na fila o mais debilitado, o mais lesado, o mais prá lá do que pra cá e atacava. Era bilhete premiado, era o conto do dólar preto, era terreno na lua e caso não caíssem na sua lábia, em minutos levava a grana na simplicidade da mão grande e cavalo louco, ou seja, em troca de sopapos e correria. Nunca via vacas magras.
Acreditou ser o maioral, o bambambam. Resolveu ficar com mais do que lhe era permitido. Ao tentar subir vários degraus na hierarquia do crime, foi encontrado morto num quarto imundo de hotel de quinta. “Foi suicídio”, constatou o delegado após verificar minuciosamente os três balaços na cabeça. Ninguém contestou a autoridade. Afinal, morreu tá morto. Foi.

Por:

Nelson Emerson

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Pneu Que Queima no Protesto


Antes eu era um pneu antigo ...
Sem serventia e sem abrigo !
Eu estava abandonado no jardim ...
De um grande bosque sem fim!

Mas resolveram fazer uma passeata ...
Bem no meio da importante estrada !
Em mim tacaram um imenso fogaréu ...
Em vez do inferno , me sinto no céu !

Sou o pneu que queima no protesto ...
Em nome de um digno manifesto !
Um automóvel , um dia ajudei a carregar ...
Mas só agora senti minha missão no ar !

Eu já carreguei várias famílias ...
Vivi loucuras , ternuras e aventuras ...
Mas descobri que a maravilha ...
É lutar com coragem e bravura !

Sou o pneu que queima no protesto ...
Em nome de um digno manifesto !
Em mim tacaram um imenso fogaréu ...
Em vez do inferno , me sinto no céu .


por:

Luciana do Rocio Mallon





Pneu Que Queima no Protesto


Antes eu era um pneu antigo ...
Sem serventia e sem abrigo !
Eu estava abandonado no jardim ...
De um grande bosque sem fim!

Mas resolveram fazer uma passeata ...
Bem no meio da importante estrada !
Em mim tacaram um imenso fogaréu ...
Em vez do inferno , me sinto no céu !

Sou o pneu que queima no protesto ...
Em nome de um digno manifesto !
Um automóvel , um dia ajudei a carregar ...
Mas só agora senti minha missão no ar !

Eu já carreguei várias famílias ...
Vivi loucuras , ternuras e aventuras ...
Mas descobri que a maravilha ...
É lutar com coragem e bravura !

Sou o pneu que queima no protesto ...
Em nome de um digno manifesto !
Em mim tacaram um imenso fogaréu ...
Em vez do inferno , me sinto no céu .


por:

Luciana do Rocio Mallon





quinta-feira, 7 de maio de 2009

Crônica de Um Sofrimento Com Três Fins




Era sempre tu, minha imensurável companheira, quem via passar adiante meus devaneios todos de tal felicidade inexistente – um denso comboio de cordas que o nobre poeta multifacetado fazia batizar corações de sorte precária.
Era sempre tu, minha imensurável companheira, quem me escoltava toda noite antes de dormir inquieto de meu funesto fim e a quem entregava todas as minhas sinistras virtudes – uma a uma – para que fizesses augúrios indefinidos.
Era sempre tu, minha imensurável companheira, quem restaurava todos os meus desejos simples e por quem deitava amores sem limites. Eu era todo espelho para o completo reflexo que emitia – e só não tecia novelos infinitos de afeto porque a tinta era pouca pra tantas porções esparramadas de amor latente.
Era sempre tu, minha imensurável companheira. Vertia por ti lágrimas beatrizes e carregava mundos em bagagens solitárias, algumas dores acopladas e matizes de vidro que nunca curaram. Eu quebrava a cada fortaleza de distância entre a sua leve indiferença e meus braços chamejantes contra o gelo bilíngüe – essa série de símbolos que sempre nos separou.
Era sempre tu, minha imensurável companheira, quando encontrava belezas ainda profundas e virgens e por quem escapava do plano – rumo ao etéreo duvidoso. Guiava-me através da cegueira – nada mais importava diante de ti e das minhas memórias sempre belas e tortas. Recordações sempre trevas acordavam meu dia e era como se me disparasse sem saber pra onde ir a cada vez que te via em postes, luminosos e outras mulheres tantas. O sono pesado e curto da madrugada sempre te trazia – e sempre comigo dormiam as euforias. Diga-me, se ainda ouve a minha voz que escreve essas palavras insanas, se o seu ódio ainda não cegou meu semblante: sou ou não sou um espetáculo triste?
Era sempre tu, minha imensurável companheira, a arqueira de meus pecados aleatórios e o alicerce de toda a minha igreja de contornos frágeis – a ilha onde resgatava meus fantasmas da solidão do que não tem juízo. Nunca realizaste o apelo manso de assentar todo o meu clamor em um piso para dois – sempre fomos rios secos de separação. E só digo que assim foi melhor por falta de outra opção (e rancor).
Era sempre tu, minha imensurável companheira, o motivo de tantos emblemas e ardor e o pedaço de meu peito ao qual inscrevia seu nome com sílabas de grave adereços. Esse todo pungente de não saber quem sou.
Era sempre tu, minha imensurável companheira, a razão de minha sorte e um trecho gigante de fogo brando no meu íntimo de emoções sinceras e angustiantes.
Era sempre tu, minha imensurável companheira, o motivo de tanta sanha, dificuldades de respiração e a voz maldita que ecoava quando o silêncio emancipava sua sombra noturna, se descolava do chão sujo e queria me agarrar.
Era sempre tu, minha imensurável companheira, a guardiã de todos os meus minutos e o meu universo de estrelas fortes e extintas. Foi pra mim o que representava tudo e o tudo se configurava em uma espécie de vazio que só se preenchia quando caminhava em minha direção – um quase clichê, meu amor? Sua voz baixa sempre anunciou algum tipo de precipício em que algum dia eu cairia inteiro, mas fingi que não ouvia por pura abstração.
Era sempre tu, minha imensurável companheira. Era sempre tu. E de tanto cansaço de ser sempre você, agora vou levar calmamente todo o meu amor em pequenos comprimidos doentes e entregarei tudo numa bandeja com diversas facas torturantes: aqui está o meu coração, ainda escorrendo sangue, batendo só mais uma rápida estação descompassada ao som de seu triste nome – sim, mais um leve clichê sobre aquilo que há tanto tempo versa a humanidade, livros trágicos e domínios públicos sem final feliz. A morte nos fará bem e assim realizarei um epitáfio de contornos breves, um cemitério de caveiras nobres. Um cavaleiro tomba e a sua armadura se desfaz em serpentes reluzentes.
Minha imensurável companheira, as minhas mãos firmes seguram uma guilhotina e o seu pescoço está à mostra, sei do mal que estou fazendo, sei o quanto serei inglório – nenhum conceito pode explicar esse mundo diante do sofrimento e mágoa de ambos. Só que até no fim o seu nome insiste em ressoar e espero que isso seja por pouco tempo. Hoje só me resta desejar poderosamente o fim. O seu pescoço rola como pedem os suicidas. Fim. Fim. Fim.

por:
Daniel Zanella

Crônica de Um Sofrimento Com Três Fins




Era sempre tu, minha imensurável companheira, quem via passar adiante meus devaneios todos de tal felicidade inexistente – um denso comboio de cordas que o nobre poeta multifacetado fazia batizar corações de sorte precária.
Era sempre tu, minha imensurável companheira, quem me escoltava toda noite antes de dormir inquieto de meu funesto fim e a quem entregava todas as minhas sinistras virtudes – uma a uma – para que fizesses augúrios indefinidos.
Era sempre tu, minha imensurável companheira, quem restaurava todos os meus desejos simples e por quem deitava amores sem limites. Eu era todo espelho para o completo reflexo que emitia – e só não tecia novelos infinitos de afeto porque a tinta era pouca pra tantas porções esparramadas de amor latente.
Era sempre tu, minha imensurável companheira. Vertia por ti lágrimas beatrizes e carregava mundos em bagagens solitárias, algumas dores acopladas e matizes de vidro que nunca curaram. Eu quebrava a cada fortaleza de distância entre a sua leve indiferença e meus braços chamejantes contra o gelo bilíngüe – essa série de símbolos que sempre nos separou.
Era sempre tu, minha imensurável companheira, quando encontrava belezas ainda profundas e virgens e por quem escapava do plano – rumo ao etéreo duvidoso. Guiava-me através da cegueira – nada mais importava diante de ti e das minhas memórias sempre belas e tortas. Recordações sempre trevas acordavam meu dia e era como se me disparasse sem saber pra onde ir a cada vez que te via em postes, luminosos e outras mulheres tantas. O sono pesado e curto da madrugada sempre te trazia – e sempre comigo dormiam as euforias. Diga-me, se ainda ouve a minha voz que escreve essas palavras insanas, se o seu ódio ainda não cegou meu semblante: sou ou não sou um espetáculo triste?
Era sempre tu, minha imensurável companheira, a arqueira de meus pecados aleatórios e o alicerce de toda a minha igreja de contornos frágeis – a ilha onde resgatava meus fantasmas da solidão do que não tem juízo. Nunca realizaste o apelo manso de assentar todo o meu clamor em um piso para dois – sempre fomos rios secos de separação. E só digo que assim foi melhor por falta de outra opção (e rancor).
Era sempre tu, minha imensurável companheira, o motivo de tantos emblemas e ardor e o pedaço de meu peito ao qual inscrevia seu nome com sílabas de grave adereços. Esse todo pungente de não saber quem sou.
Era sempre tu, minha imensurável companheira, a razão de minha sorte e um trecho gigante de fogo brando no meu íntimo de emoções sinceras e angustiantes.
Era sempre tu, minha imensurável companheira, o motivo de tanta sanha, dificuldades de respiração e a voz maldita que ecoava quando o silêncio emancipava sua sombra noturna, se descolava do chão sujo e queria me agarrar.
Era sempre tu, minha imensurável companheira, a guardiã de todos os meus minutos e o meu universo de estrelas fortes e extintas. Foi pra mim o que representava tudo e o tudo se configurava em uma espécie de vazio que só se preenchia quando caminhava em minha direção – um quase clichê, meu amor? Sua voz baixa sempre anunciou algum tipo de precipício em que algum dia eu cairia inteiro, mas fingi que não ouvia por pura abstração.
Era sempre tu, minha imensurável companheira. Era sempre tu. E de tanto cansaço de ser sempre você, agora vou levar calmamente todo o meu amor em pequenos comprimidos doentes e entregarei tudo numa bandeja com diversas facas torturantes: aqui está o meu coração, ainda escorrendo sangue, batendo só mais uma rápida estação descompassada ao som de seu triste nome – sim, mais um leve clichê sobre aquilo que há tanto tempo versa a humanidade, livros trágicos e domínios públicos sem final feliz. A morte nos fará bem e assim realizarei um epitáfio de contornos breves, um cemitério de caveiras nobres. Um cavaleiro tomba e a sua armadura se desfaz em serpentes reluzentes.
Minha imensurável companheira, as minhas mãos firmes seguram uma guilhotina e o seu pescoço está à mostra, sei do mal que estou fazendo, sei o quanto serei inglório – nenhum conceito pode explicar esse mundo diante do sofrimento e mágoa de ambos. Só que até no fim o seu nome insiste em ressoar e espero que isso seja por pouco tempo. Hoje só me resta desejar poderosamente o fim. O seu pescoço rola como pedem os suicidas. Fim. Fim. Fim.

por:
Daniel Zanella

terça-feira, 5 de maio de 2009

KURT COBAIN FAZ FALTA PARA A MÚSICA?


Hoje assistindo a um destes programas na MTV surgiu uma pergunta:“Kurt Cobain faz falta na música?” É uma boa pergunta. Se estivessevivo, o que estaria fazendo? Seria alguma espécie de “Rei do Rock” oudo Pop? Sim porque o Nirvana é pop, assim como Jimi Hendrix, CaetanoVeloso, ou o Calipso, Zeca Pagodinho, Elvis Presley e tantos outrostambém o são. Mas não é isso que vem ao caso, pelo menos nestemomento.Kurt Cobain é um paradoxo. Ele não deixa de ser um fenômeno pop aomesmo tempo em que abominava a fama e se sentia desconfortável comtodo assédio dos fãs e da mídia. Mas jamais deixou de ser um bomnegócio para as gravadoras e para a imprensa que até hoje exploram omito.A atitude de Kurt era algo espontâneo, selvagem, inconseqüente. Tenhosentido um pouco de falta desta inconseqüência no meio musical. Eraalgo vital, urgente, gutural que expressava um estado de alma. Hojetoda atitude é calculada. Na medida, nem mais nem menos do que precisapara ser notado. Seja um corte de cabelo, um figurino, um gesto, umsotaque, um temperamento... Pose. E pose estrategicamente calculada.Se Kurt, Ian Curtis, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Raul Seixas, RenatoRusso, Cazuza... e tantos outros estivessem vivos, seriam ainda umfenômeno inspirando atitudes e comportamentos ou seria mais uma bandaquase esquecida? Ou estaria dentro de um nicho cultural segmentado comtoda a mudança nos meios de produção e divulgação musical que ainternet trouxe ao mercado fonográfico? Ou seria uma daquelas bandasantigas meio esquecidas com seus seguidores espalhados aqui e ali? Ouainda um som datado, que pertenceu a uma certa época, com certosconceitos e não faria mais sentido nos dias de hoje?
por:
N I N A

KURT COBAIN FAZ FALTA PARA A MÚSICA?


Hoje assistindo a um destes programas na MTV surgiu uma pergunta:“Kurt Cobain faz falta na música?” É uma boa pergunta. Se estivessevivo, o que estaria fazendo? Seria alguma espécie de “Rei do Rock” oudo Pop? Sim porque o Nirvana é pop, assim como Jimi Hendrix, CaetanoVeloso, ou o Calipso, Zeca Pagodinho, Elvis Presley e tantos outrostambém o são. Mas não é isso que vem ao caso, pelo menos nestemomento.Kurt Cobain é um paradoxo. Ele não deixa de ser um fenômeno pop aomesmo tempo em que abominava a fama e se sentia desconfortável comtodo assédio dos fãs e da mídia. Mas jamais deixou de ser um bomnegócio para as gravadoras e para a imprensa que até hoje exploram omito.A atitude de Kurt era algo espontâneo, selvagem, inconseqüente. Tenhosentido um pouco de falta desta inconseqüência no meio musical. Eraalgo vital, urgente, gutural que expressava um estado de alma. Hojetoda atitude é calculada. Na medida, nem mais nem menos do que precisapara ser notado. Seja um corte de cabelo, um figurino, um gesto, umsotaque, um temperamento... Pose. E pose estrategicamente calculada.Se Kurt, Ian Curtis, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Raul Seixas, RenatoRusso, Cazuza... e tantos outros estivessem vivos, seriam ainda umfenômeno inspirando atitudes e comportamentos ou seria mais uma bandaquase esquecida? Ou estaria dentro de um nicho cultural segmentado comtoda a mudança nos meios de produção e divulgação musical que ainternet trouxe ao mercado fonográfico? Ou seria uma daquelas bandasantigas meio esquecidas com seus seguidores espalhados aqui e ali? Ouainda um som datado, que pertenceu a uma certa época, com certosconceitos e não faria mais sentido nos dias de hoje?
por:
N I N A

domingo, 3 de maio de 2009

SÓ CORRO


Destino é meta.
Meta-se com a sua vida!
Não figuro entre os figurões e perdi no bafo minhas figurinhas
Sigo neste vôo cego mandando bala no sinistro leme.
Sem pressa, corro pro lado oposto.
Descalço, desço pedestre e humilde peço menos dessa dor que me consome enquanto sumo na bruma de lembranças vagas de sentido e significado.
Veloz e velho, o tempo não me deixa alcançá-lo e corro entorpecido pela percepção do meu não eu através de janelas que projetam paisagens zápidas como um flashback.
Olho ao redor e nada vejo de mim em nada nem ninguém ou eu em alguém. Um dejavu, um dejavi um bemtevi? jamais vi quem queira aqui ou acolá o péssimo, longe, sim. Lapadas de consciência bêbada de si, de vapores, de gazes, de venenos e de pensamentos aflitos . Corro só. Socorro! Sem sim, sem não nem ao menos algum quem.
Um pé, talvez um Pégaso, uma pílula, um palito atravessado na garganta: gárgula engolidor de agulhas. Vigia espadachim, vigilante aceso de fósforo branco e preto de queimado em vivimanipulança de outrens, vagantes carrilhões dormentes em horários de verões tão frios, predominadoras nuvens patagonicamente frontais. Confrontar poentes e nascentes dia a dia. Correr, correr e só correr. As ambulâncias uivam pra lua cheia enquanto lobos choram de ciúme e latem como cães de guardachuva ou guardarroupa ou guardabela. Aquela cadela. Sopre o nome dela e corra, corra, corra e socorrasse, antes que seja ontem.


por:

Fittipaldi Piquet

SÓ CORRO


Destino é meta.
Meta-se com a sua vida!
Não figuro entre os figurões e perdi no bafo minhas figurinhas
Sigo neste vôo cego mandando bala no sinistro leme.
Sem pressa, corro pro lado oposto.
Descalço, desço pedestre e humilde peço menos dessa dor que me consome enquanto sumo na bruma de lembranças vagas de sentido e significado.
Veloz e velho, o tempo não me deixa alcançá-lo e corro entorpecido pela percepção do meu não eu através de janelas que projetam paisagens zápidas como um flashback.
Olho ao redor e nada vejo de mim em nada nem ninguém ou eu em alguém. Um dejavu, um dejavi um bemtevi? jamais vi quem queira aqui ou acolá o péssimo, longe, sim. Lapadas de consciência bêbada de si, de vapores, de gazes, de venenos e de pensamentos aflitos . Corro só. Socorro! Sem sim, sem não nem ao menos algum quem.
Um pé, talvez um Pégaso, uma pílula, um palito atravessado na garganta: gárgula engolidor de agulhas. Vigia espadachim, vigilante aceso de fósforo branco e preto de queimado em vivimanipulança de outrens, vagantes carrilhões dormentes em horários de verões tão frios, predominadoras nuvens patagonicamente frontais. Confrontar poentes e nascentes dia a dia. Correr, correr e só correr. As ambulâncias uivam pra lua cheia enquanto lobos choram de ciúme e latem como cães de guardachuva ou guardarroupa ou guardabela. Aquela cadela. Sopre o nome dela e corra, corra, corra e socorrasse, antes que seja ontem.


por:

Fittipaldi Piquet