sexta-feira, 15 de maio de 2009

SUICIDA FILHO DA PUTA­­­­­­­­

Morreu.
Malvado filho da puta e craqueiro.
Traficava e vendia tudo malhado e misturado e mal servido.
Caloteiro nunca pagou ninguém.
Contaminado, fez questão de infectar o maior número de pessoas posssível.
Ladrão e assassino, nunca deixou ninguém se atravessar entre ele e seus objetivos.
Queria poder e poder foder todo mundo, sempre foi o melhor amigo do inimigo número um, um crápula, explorador dos indefesos; venderia sua própria mãe, se não a tivesse internado em um asilo público de péssima reputação a troco de interditar a velha para ficar com sua pensão, sem pudor nem falso moralismo. Aliás, falsidade era algo que nele encontrou o mais apropriado habitat para desenvolver suas vertentes mais sombrias, os seus filhotes mais maldosos: a corrupção, a demagogia e a mentira deslavada. Hipócrita bom de bico, ludibriava velhinhos para surrupiar-lhes a parca pensão mensal do INSS. Esperava na fila o mais debilitado, o mais lesado, o mais prá lá do que pra cá e atacava. Era bilhete premiado, era o conto do dólar preto, era terreno na lua e caso não caíssem na sua lábia, em minutos levava a grana na simplicidade da mão grande e cavalo louco, ou seja, em troca de sopapos e correria. Nunca via vacas magras.
Acreditou ser o maioral, o bambambam. Resolveu ficar com mais do que lhe era permitido. Ao tentar subir vários degraus na hierarquia do crime, foi encontrado morto num quarto imundo de hotel de quinta. “Foi suicídio”, constatou o delegado após verificar minuciosamente os três balaços na cabeça. Ninguém contestou a autoridade. Afinal, morreu tá morto. Foi.

Por:

Nelson Emerson

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