domingo, 3 de maio de 2009

SÓ CORRO


Destino é meta.
Meta-se com a sua vida!
Não figuro entre os figurões e perdi no bafo minhas figurinhas
Sigo neste vôo cego mandando bala no sinistro leme.
Sem pressa, corro pro lado oposto.
Descalço, desço pedestre e humilde peço menos dessa dor que me consome enquanto sumo na bruma de lembranças vagas de sentido e significado.
Veloz e velho, o tempo não me deixa alcançá-lo e corro entorpecido pela percepção do meu não eu através de janelas que projetam paisagens zápidas como um flashback.
Olho ao redor e nada vejo de mim em nada nem ninguém ou eu em alguém. Um dejavu, um dejavi um bemtevi? jamais vi quem queira aqui ou acolá o péssimo, longe, sim. Lapadas de consciência bêbada de si, de vapores, de gazes, de venenos e de pensamentos aflitos . Corro só. Socorro! Sem sim, sem não nem ao menos algum quem.
Um pé, talvez um Pégaso, uma pílula, um palito atravessado na garganta: gárgula engolidor de agulhas. Vigia espadachim, vigilante aceso de fósforo branco e preto de queimado em vivimanipulança de outrens, vagantes carrilhões dormentes em horários de verões tão frios, predominadoras nuvens patagonicamente frontais. Confrontar poentes e nascentes dia a dia. Correr, correr e só correr. As ambulâncias uivam pra lua cheia enquanto lobos choram de ciúme e latem como cães de guardachuva ou guardarroupa ou guardabela. Aquela cadela. Sopre o nome dela e corra, corra, corra e socorrasse, antes que seja ontem.


por:

Fittipaldi Piquet

Nenhum comentário:

Postar um comentário