sábado, 31 de janeiro de 2009

Questão de sorte

E tudo não passa de uma questão de sorte. A frase que eu mais ouvi na minha vida,tanto por min mesmo quanto por outros. Começo achar que essa frase faz totalmente sentido, tudo pode se acabar ou tudo pode dar um salto gigantesco por uma fração de segundos. A teoria da conspiração se baseia totalmente nisso, e com toda razão [ou sorte]. A minha vida não passou de sorte, o fato de eu ser eu hoje em dia é pura sorte. Muitos de nos evitam pensar nessa questão, pois na cabeça deles, não podem ser tão insignificantes assim pra simplesmente perderem ou ganharem sua vida por uma questão ridiculamente pequena, uma questão de sorte Dizem que Deus é a sorte. Eu não sei, mas nunca me esqueci do dia em que por um tris não morri. Era um fim de tarde após o colégio, eu estava muito estressado, pois não tinha conseguido recuperar minha media em matemática e não haveria outra chance, pelo menos naquele trimestre, enfim, estava desatento, mergulhado em·pensamento de como iria me safar daquilo. Eu ainda tinha que pegar um ônibus pra voltar pra casa, foi quando eu vi o mesmo virando na esquina de cima da quadra que eu estava, eu já sabia o trajeto, se eu corresse até o ponto de duas quadras acima

daria tempo, por que ele ainda iria dar a volta pela quadra de baixo. Corri o maximo que pude, fui atravessar a rua em frente ao colégio pra poder já ter a certeza,pois o angulo do outro lado permitia que eu soubesse caso ele viesse antes de eu chegar ao ponto,ai eu tentaria acenar ou algo assim para o motorista.foi quando eu desatento tropecei no próprio cadarço [eu tenho o péssimo hábito de não amarrar sempre que eles desamarram] praticamente virei duas cambalhotas no meio da rua, cai de cabeça, fiquei desatento, lento, tonto, tentei me levantar mas minha mochila estava muito pesada e fui mais lento, me senti desesperado, meu crânio agora era o prato cheio de qualquer motorista despercebido, estava com metade do meu corpo no lado direito da rua e metade no meio, se eu levantasse ficaria seguro pois existia uma pequena viela do meu lado e os motoristas sempre desviam um bom tem pode distancia antes dela . Meu medo era de que, como estava com metade do corpo do lado direito, os carros vinham do outro lado e demoravam mais para desviar da viela, ou seja, era muito provável que algum carro no mínimo iria me machucar muito. O caso é que eu joguei todo o peso do meu corpo contra a mochila e ela me puxou para o meio, porém ,foi caso de um ou no maximo 2 segundos,um ligeirinho passou raspando na minha frente, e eu fiquei sentado assistindo aquilo que seria a minha sentença de morte o motorista freou pois deve ter me visto sentado ali no meio da rua pelo retrovisor, pensando que me atingiu. Eu percebi e ainda perplexo acenei que estava tudo bem, ele continuou. Não consegui acreditar, era demais pra min, não podia ser, no segundo seguinte eu comecei rir e me tomei por uma extrema euforia. La estava eu, como se tivesse conseguido ter êxito em todos os meus sonhos, como se tivesse nascido novamente, intacto,esquecido de tudo e de todos, não precisava de mais nada, só de min mesmo.Gratidão, palavra misteriosa pra min naquele momento, pois não sabia se agradecia,e se fosse, pra quem agradeceria, para a gravidade que me ajudou a empurrar a mochila,para o tempo que me salvou por alguns segundos, ou para min mesmo. Por via das duvidas, fiquei com a sorte mesmo, ou Deus, como vocês quiserem, não sou religioso, porém não tenho nada contra a crença na existência dele. A questão é que muitos de nos se enchem de orgulho, se vangloriam pelo estado atual, pelo que vocês têm, pois bem,agradeçam que vocês possam ter um pouco disso tudo, pois provavelmente, se não fosse pela sorte, ou a má sorte na questão do egocentrismo, não teriam nada, nem a si mesmos.O ônibus?Ah, eu levantei e caminhei lentamente até o ponto, deu tempo, provavelmente tinham muitos passageiros nos outros pontos... Se bem que tinham muitos bancos sobrando... Questão de sorte.

por:

Dom Quixote

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