Estive lá e não te vi lá. Procurei, esperei e não te achei. Desisti e voltei. Sabia que poderia ser legal. Lá as coisas eram avançadas e inimagináveis antes de vê-las – talvez seja lógico, mas depende da mente da gente. Só não foi legal pelo fato que não nos encontramos. O meu tempo não bateu com o teu. Nem que tu avançasses para o presente nos encontraríamos, pois eu estava no futuro. No futuro, cada batida de meu coração passava para o passado, mas antes vivia o presente que já não o era mais. Tínhamos a mesma idade, mas os tempos eram outros: optei pelo da frente, você pelo de trás. Não digo isso como os velhos diziam naquele presente que virou passado: “os tempos eram outros, muito melhores antigamente e blá blá blá”. Fui para o futuro e tu optaste em permanecer no passado, suponho que gostasse mais e não quisesse ir adiante. Não sei qual é o melhor, pois não conheci a fundo o futuro por causa de ti que combinou e não cumpriu o trato de estarmos juntos lá. Já o passado eu conhecia de olhos fechados, afinal tinha sido presente um dia. Enfim, estou magoado. Gostava tanto de você e isso agora é passado. Não quero que fique magoada, desejo-te tudo de bom, assim como quero pra mim. Só espero que no futuro eu tenha alguém ao meu lado sempre no presente. Chega de contar coisas passadas, quero fazer novas histórias e não relembra-las. Talvez na próxima carta eu seja favorável ao passado pra não perder a amizade contigo, mas adianto: será difícil. E que quando eu morrer não fique na lembrança, como alguém do passado, pois quando eu morrer estarei no presente. O presente é agora, o futuro também. Minha amiga do passado me desculpe, mas você já não aporrinha mais ninguém, muito menos eu. Você continuará sendo a mesma passada (do passado). Já te usei para escrever cartas para alguém que já amei, mas agora são outros tempos. Para escrever uma carta para você (amiga) não uso mais você (caneta). Uso hoje (futuro que já passou) o computador que sucede a máquina de escrever que sucede a caneta que não é dispensável como também não é indispensável. Prefiro digitar e ter as palavras legíveis a escorregar a mão em ti amiga caneta de tanto suar e lesar a mão, apesar de não tocar muito rápido no teclado. Aprendi, quando tinha 13 anos, tocar bateria, não teclado. O teclado com que escrevo agora (que já é passado, mas está bom ainda) é instrumento de trabalho, mas não musical. É bom escutar música boa, quando se têm palavras bem organizadas numa folha de papel, escritas a tinta ou batidas e impressas. Isso que é legal: a mágica de organizá-las e criar um outro mundo em nossas mentes através delas, as palavras; que quando no tempo de Sócrates não eram escritas, mas ditas por ele – dom da oratória. Hoje (presente passado que um dia já foi futuro) escrevo essas palavras ordenadas para relê-las, quando tinha escrito no passado. Aliás, nossa memória não lembra tudo exatamente como era, a não ser que se tenha um registro como esse que guarda detalhes do passado que fora futuro que o conheci quando virou presente pretérito.
Victor Amaral
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