
É noite. Talvez o oitavo dia da semana.
O calor é insuportável até para aqueles que anseiam combustão espontânea em uma eterna cidade cinza, fria, úmida, fatídica.
Ao ritmo tênue de uma familiar estranheza: o compasso, cinzeiro, garrafa, colher, relógio, moedas, remédios, caneta, Gilette, livros, lanterna e até um pingüim triste em cima da geladeira me olham com um sorriso de escárnio preparando-se um uníssono.
Sinto eletricidade maléfica no ar.
Silencio...
antes que algo aconteça, um galo canta em algum lugar!
Acordo de sobressalto e aliviado em escapar da loucura do sonho.
E mais uma vez ele canta. Solitário e perdido no fuso confuso de seu horário.
E pela terceira e ultima vez ele canta.
Tento criar compaixão por tal criatura. Leve e humilde desdém soberano me obriga a esquecer a simbologia de tudo isso e aquilo.
Observo as horas; São setes minutos para algum tempo.
Antes que o sono retorne, penso:
- Ainda há tempo para dormir e sonhar uns quarenta ou cinqüenta mil anos.
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