segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Quimera Subliminar De Quem Tem Pena


É noite. Talvez o oitavo dia da semana.

O calor é insuportável até para aqueles que anseiam combustão espontânea em uma eterna cidade cinza, fria, úmida, fatídica.

Ao ritmo tênue de uma familiar estranheza: o compasso, cinzeiro, garrafa, colher, relógio, moedas, remédios, caneta, Gilette, livros, lanterna e até um pingüim triste em cima da geladeira me olham com um sorriso de escárnio preparando-se um uníssono.

Sinto eletricidade maléfica no ar.

Silencio...

antes que algo aconteça, um galo canta em algum lugar!

Acordo de sobressalto e aliviado em escapar da loucura do sonho.

E mais uma vez ele canta. Solitário e perdido no fuso confuso de seu horário.

E pela terceira e ultima vez ele canta.

Tento criar compaixão por tal criatura. Leve e humilde desdém soberano me obriga a esquecer a simbologia de tudo isso e aquilo.

Observo as horas; São setes minutos para algum tempo.

Antes que o sono retorne, penso:

- Ainda há tempo para dormir e sonhar uns quarenta ou cinqüenta mil anos.


por:

Valter Ferraz

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