E isso pode ter sido a causa de tudo, minha querida. Ao telefone, você derramava palavras acaloradas enquanto te seguia. Dirigia beijos despudorados enquanto a tarde caía e a sua voz cândida anunciava que me traíras antes mesmo de me conhecer. Por quem se derretias tanto? Por quê?
Foi demais pra mim. Esperei você terminar de reclamar do sinal de sua operadora telefônica e ali mesmo, no outono gelado desse dia qualquer, disparei dois tiros: um no estudante que passava (por que passava?) e outro à queima-roupa em ti. E você tombou. Tombou lentamente, como nos filmes de amor sem armas brancas e traidores.
E agora? Estilhaços de fogo em minha mão e um sangue poente brilhando e jorrando no chão.
Por:
Daniel Zanella
y0, muito legal seu blog. Sorria!!!
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