quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Férias





Números de 2008:
  • 5 meses no ar;
  • Aproximadamente 130 textos publicados;
  • 18 colunistas;
  • Mais de 1800 acessos;
  • Exposições no URRA 6, Najibe Café e Bagdá Brasil;
  • Perfil no Orkut com 185 membros;
  • Comunidade no Orkut com 46 membros;
  • Parcerias com Araucária Online, Urra!, CIART, Bagdá Brasil, Najibe Café, Grupo de Poesia de Araucária, Araucária Macabra, Bruxos de Gadara, Araucária para Loucos.
Orgulhamos-nos muito desses números e agradecemos a todos que nos ajudaram durante esses cinco meses de existência. E que em 2009 possamos consolidar o CRUZ CREDO NEWS como um dos mais significativos espaços de arte marginal de nossa região.
_____________________________________________________________
Um grande 2009 para todos
(((são os votos de toda equipe do CRUZ CREDO NEWS)))

Férias





Números de 2008:
  • 5 meses no ar;
  • Aproximadamente 130 textos publicados;
  • 18 colunistas;
  • Mais de 1800 acessos;
  • Exposições no URRA 6, Najibe Café e Bagdá Brasil;
  • Perfil no Orkut com 185 membros;
  • Comunidade no Orkut com 46 membros;
  • Parcerias com Araucária Online, Urra!, CIART, Bagdá Brasil, Najibe Café, Grupo de Poesia de Araucária, Araucária Macabra, Bruxos de Gadara, Araucária para Loucos.
Orgulhamos-nos muito desses números e agradecemos a todos que nos ajudaram durante esses cinco meses de existência. E que em 2009 possamos consolidar o CRUZ CREDO NEWS como um dos mais significativos espaços de arte marginal de nossa região.
_____________________________________________________________
Um grande 2009 para todos
(((são os votos de toda equipe do CRUZ CREDO NEWS)))

Natal?


por:
M-ateus

Natal?


por:
M-ateus

Natal 100 Consumo!


por:
Benet Benett

Natal 100 Consumo!


por:
Benet Benett

Lembranças do Poço das Violetas


Do alto do penhasco assombrado alguém se joga rumo aos fantasmas do solo. Luzes radiantes das árvores natalinas esclarecem a descida, acenando para as lanças de pedra que amortecerão o pouso. Não há muito que pensar – uma certa breguice essa história de saco de presentes e chaminés, não? – e sobra um estranho conforto de saber que a consciência não mais lhe pertence e que o espera algo de novo.

Dissolveram-se os problemas todos, mas por que há de morrer se não pensou em quem carregará seu caixão no dia seguinte de tantos festejos convexos?

Quando estava próximo da derradeira terra – que em breve lhe partirá inteiro – lembrou que estava a morrer de amor através da mão de quem criou e sequer se sensibilizou dos júbilos todos (malditos escritores).

Amor

Esse compêndio louco

De emoções insones

E corda pouca

Que segura fraco a vida

E nos faz enfiar facas lentas

No coração do mundo.

Feliz Natal!

por:

Daniel Zanella

Lembranças do Poço das Violetas


Do alto do penhasco assombrado alguém se joga rumo aos fantasmas do solo. Luzes radiantes das árvores natalinas esclarecem a descida, acenando para as lanças de pedra que amortecerão o pouso. Não há muito que pensar – uma certa breguice essa história de saco de presentes e chaminés, não? – e sobra um estranho conforto de saber que a consciência não mais lhe pertence e que o espera algo de novo.

Dissolveram-se os problemas todos, mas por que há de morrer se não pensou em quem carregará seu caixão no dia seguinte de tantos festejos convexos?

Quando estava próximo da derradeira terra – que em breve lhe partirá inteiro – lembrou que estava a morrer de amor através da mão de quem criou e sequer se sensibilizou dos júbilos todos (malditos escritores).

Amor

Esse compêndio louco

De emoções insones

E corda pouca

Que segura fraco a vida

E nos faz enfiar facas lentas

No coração do mundo.

Feliz Natal!

por:

Daniel Zanella

NÃO NATAL

Quando estaciona o carro na calçada, percebe que todos já chegaram. Desliga o motor e permanece imóvel ao volante. Sonha a possibilidade de não ser notado, de permanecer atrás de vidros escuros durante uma ou duas eternidades: o gosto do conhaque na boca, especial do Roberto Carlos na tv, pedaços de unhas roídas raspando embaixo da língua. É o refluxo dos anos que se misturaram, dissolvendo-o por dentro. Efervescente, enfermo, inferno.

A sobrinha pequena bate na janela. Não vai entrar não? A boneca que acabou de ganhar chora de verdade, ela mostra. Chora de verdade, repete. Sorri de mentira, remói.

Antes de sair do carro abre o porta-luvas e procura alguma coisa, não acha. Esquece. Tira a chave da ignição e a coloca no bolso. Sente o volume dos projéteis. Seis. Agora lembra: a caixa dentro do armário. Resolve entrar.

Sem graça, oferece um "Feliz Natal" de mentira para todos os presentes que, distraídos, sinceramente não retribuem. Talvez um aceno de alguém atrás da mesa, um gemido gutural de uma criança que não existia no ano passado ou um par de sobrancelhas erguidas em forma de "oi", não sabe ao certo, difícil desenhar desdenho. Já estudou isso. Ou inventou? Melhor escrever antes que vire um tumor.

Então repete a tela: O olhar acovardado não fotografa a imagem à sua frente, ele apenas borra as cores e os sons e os cheiros, tornando-os uma coisa só. Essa é sua defesa, é seu escudo para melhor suportar o insuportável. O esforço da memória, ao tentar recobrar o passado, talvez seja uma tentativa de reproduzir essas impressões repetidas vezes até que elas se transformem em lembranças concretas, boas ou ruins, mas tão falsas quanto à própria realidade. Mais um gole de cidra quente, de onde surgiu? Não, não foi ele quem inventou essa teoria. Retórica inverossímil. Passa a desconfiar de suas próprias palavras, mas segue pintor de presentes. Imprecisões à óleo.

O restante da casa é comida e presépio. Gosto de uva-passa nas paredes, o chão ainda grudento. Tantos natais incrustados no mármore. À mesa, serve-se da comida cenográfica e desvia-se dos olhares marginais que o fuzilam. Festa, farsa, forca.

Ouve conversas. Onde ele está? No quarto, passou mal durante a tarde.

Imagina então o pai cheio de tubos colados à boca e à bunda. Imagina os aparelhos sendo desligados. Imagina os desfibriladores. Imagina a encomenda na floricultura: Não, desta vez não quero um buquê.

Na taça vazia, o reflexo irritante do pisca-pisca que enfeita o pinheirinho. Acende-apaga, Feliz-Natal, acende-apaga, Feliz-Natal, acende-apaga, Feliz-Natal, acende-apaga, Feliz-Natal, apaga-Natal, acende-Feliz, apaga-acende, Natal-Feliz, apaga-acende, Natal-Natal, apaga-Fe, apaga-liz. Apaga. Natal. Afaga. Afoga. Apaga.

Planeja contar tudo à mãe, ou insinuar ao irmão, ou simplesmente se calar diante do pai. O medo ainda o estrangula. Teria coragem de seguir em frente com essa insensatez, mesmo após verbalizar aquilo tudo que pede palavra em seu choro? Já não faria sentido. Não faria sentido! Pincela novamente para ficar mais nítido. Tenta calar cada cor que destoa do seu corpo. Mas os natais passados rodopiam no fundo do copo de refrigerante da menininha enquanto a boneca não para de chorar. De verdade, não para. As histórias da velha casa passam correndo por entre suas pernas, puxam a sua calça e depois se escondem atrás dos móveis. Quem sabe dentro do armário.

Antes que enlouqueça, pensa. Sobe para o quarto do irmão e vai direto ao armário. Antes que enlouqueça de vez, repete para afastar a faísca de insanidade. Retira a velha caixa de sapatos. Não é mais o seu armário, é o armário de um filme americano. As fotos dentro da caixa não são suas, são de um personagem de um filme americano. De um filme americano, repete, mas não consegue imaginar. O verbo não se fez carne e nem se fez imagem, só som, só som, só som. Tudo acontece duas vezes. Ele ainda está ali, mãos suadas. Apanha o revólver no fundo da caixa e vai para o quarto do pai.

Não há tubos nem desfibriladores, o velho dorme. O pesadelo está travestido de sonho. Engatilha o revolver assim como viu no filme americano. Essa cena já aconteceu? Encosta a arma na cabeça do velho, que não acorda nem mesmo após o contato com o metal. O cheiro azedo que vem da sua pele é a infância correndo pelo quarto. Da pele de qual dos dois ele vem? Barulhos no corredor, alguém se aproxima. A boneca? Precisa agir antes que seja tarde. As mãos derretendo, desmanchando. Antes que enlouqueça de vez. Antes que. Afasta-se da cama, coloca o cano do revólver na boca, fecha os olhos e dispara. A cena se repete. Coloca o cano do revólver na boca, fecha os olhos e dispara.

A porta abre. É a mãe, veio trazer remédio. Fazendo o quê aí no chão? Nada não, vim ver o pai. Esconde o rosto, seu choro também é de verdade. Esconde a arma na calça. Coitado, até comeu um tantinho de panetone de manhã, mas não adianta, ele vomita tudo. Ela ajeita o travesseiro e apanha a jarra d'água. Ele se esquiva de qualquer resposta, sai do quarto antes que o torpor de alegria que o toma confunda ainda mais a situação. Vomita tudo, o pai vomita tudo, repete sorrido.

Quando chega à sala, boa parte das pessoas já foi embora. O pisca-pisca não pisca. O peru está pela metade, será requentado no almoço de amanhã. Sai. Entra no carro e guarda o revólver no porta-luvas. O gesto se repete, guarda o revólver no porta-luvas. Rói as unhas para se acalmar. Imagina o velório do pai. Imagina o próprio velório. Ao lado do caixão, a família gotejando porquês. Nada. Natal. Nódoas.

A sobrinha pequena bate na janela. Não vai entrar não? A boneca que acabou de ganhar chora de verdade, ela mostra. Chora de verdade, repete. Sorri de mentira, remói.


Por:

Eder Alex

NÃO NATAL

Quando estaciona o carro na calçada, percebe que todos já chegaram. Desliga o motor e permanece imóvel ao volante. Sonha a possibilidade de não ser notado, de permanecer atrás de vidros escuros durante uma ou duas eternidades: o gosto do conhaque na boca, especial do Roberto Carlos na tv, pedaços de unhas roídas raspando embaixo da língua. É o refluxo dos anos que se misturaram, dissolvendo-o por dentro. Efervescente, enfermo, inferno.

A sobrinha pequena bate na janela. Não vai entrar não? A boneca que acabou de ganhar chora de verdade, ela mostra. Chora de verdade, repete. Sorri de mentira, remói.

Antes de sair do carro abre o porta-luvas e procura alguma coisa, não acha. Esquece. Tira a chave da ignição e a coloca no bolso. Sente o volume dos projéteis. Seis. Agora lembra: a caixa dentro do armário. Resolve entrar.

Sem graça, oferece um "Feliz Natal" de mentira para todos os presentes que, distraídos, sinceramente não retribuem. Talvez um aceno de alguém atrás da mesa, um gemido gutural de uma criança que não existia no ano passado ou um par de sobrancelhas erguidas em forma de "oi", não sabe ao certo, difícil desenhar desdenho. Já estudou isso. Ou inventou? Melhor escrever antes que vire um tumor.

Então repete a tela: O olhar acovardado não fotografa a imagem à sua frente, ele apenas borra as cores e os sons e os cheiros, tornando-os uma coisa só. Essa é sua defesa, é seu escudo para melhor suportar o insuportável. O esforço da memória, ao tentar recobrar o passado, talvez seja uma tentativa de reproduzir essas impressões repetidas vezes até que elas se transformem em lembranças concretas, boas ou ruins, mas tão falsas quanto à própria realidade. Mais um gole de cidra quente, de onde surgiu? Não, não foi ele quem inventou essa teoria. Retórica inverossímil. Passa a desconfiar de suas próprias palavras, mas segue pintor de presentes. Imprecisões à óleo.

O restante da casa é comida e presépio. Gosto de uva-passa nas paredes, o chão ainda grudento. Tantos natais incrustados no mármore. À mesa, serve-se da comida cenográfica e desvia-se dos olhares marginais que o fuzilam. Festa, farsa, forca.

Ouve conversas. Onde ele está? No quarto, passou mal durante a tarde.

Imagina então o pai cheio de tubos colados à boca e à bunda. Imagina os aparelhos sendo desligados. Imagina os desfibriladores. Imagina a encomenda na floricultura: Não, desta vez não quero um buquê.

Na taça vazia, o reflexo irritante do pisca-pisca que enfeita o pinheirinho. Acende-apaga, Feliz-Natal, acende-apaga, Feliz-Natal, acende-apaga, Feliz-Natal, acende-apaga, Feliz-Natal, apaga-Natal, acende-Feliz, apaga-acende, Natal-Feliz, apaga-acende, Natal-Natal, apaga-Fe, apaga-liz. Apaga. Natal. Afaga. Afoga. Apaga.

Planeja contar tudo à mãe, ou insinuar ao irmão, ou simplesmente se calar diante do pai. O medo ainda o estrangula. Teria coragem de seguir em frente com essa insensatez, mesmo após verbalizar aquilo tudo que pede palavra em seu choro? Já não faria sentido. Não faria sentido! Pincela novamente para ficar mais nítido. Tenta calar cada cor que destoa do seu corpo. Mas os natais passados rodopiam no fundo do copo de refrigerante da menininha enquanto a boneca não para de chorar. De verdade, não para. As histórias da velha casa passam correndo por entre suas pernas, puxam a sua calça e depois se escondem atrás dos móveis. Quem sabe dentro do armário.

Antes que enlouqueça, pensa. Sobe para o quarto do irmão e vai direto ao armário. Antes que enlouqueça de vez, repete para afastar a faísca de insanidade. Retira a velha caixa de sapatos. Não é mais o seu armário, é o armário de um filme americano. As fotos dentro da caixa não são suas, são de um personagem de um filme americano. De um filme americano, repete, mas não consegue imaginar. O verbo não se fez carne e nem se fez imagem, só som, só som, só som. Tudo acontece duas vezes. Ele ainda está ali, mãos suadas. Apanha o revólver no fundo da caixa e vai para o quarto do pai.

Não há tubos nem desfibriladores, o velho dorme. O pesadelo está travestido de sonho. Engatilha o revolver assim como viu no filme americano. Essa cena já aconteceu? Encosta a arma na cabeça do velho, que não acorda nem mesmo após o contato com o metal. O cheiro azedo que vem da sua pele é a infância correndo pelo quarto. Da pele de qual dos dois ele vem? Barulhos no corredor, alguém se aproxima. A boneca? Precisa agir antes que seja tarde. As mãos derretendo, desmanchando. Antes que enlouqueça de vez. Antes que. Afasta-se da cama, coloca o cano do revólver na boca, fecha os olhos e dispara. A cena se repete. Coloca o cano do revólver na boca, fecha os olhos e dispara.

A porta abre. É a mãe, veio trazer remédio. Fazendo o quê aí no chão? Nada não, vim ver o pai. Esconde o rosto, seu choro também é de verdade. Esconde a arma na calça. Coitado, até comeu um tantinho de panetone de manhã, mas não adianta, ele vomita tudo. Ela ajeita o travesseiro e apanha a jarra d'água. Ele se esquiva de qualquer resposta, sai do quarto antes que o torpor de alegria que o toma confunda ainda mais a situação. Vomita tudo, o pai vomita tudo, repete sorrido.

Quando chega à sala, boa parte das pessoas já foi embora. O pisca-pisca não pisca. O peru está pela metade, será requentado no almoço de amanhã. Sai. Entra no carro e guarda o revólver no porta-luvas. O gesto se repete, guarda o revólver no porta-luvas. Rói as unhas para se acalmar. Imagina o velório do pai. Imagina o próprio velório. Ao lado do caixão, a família gotejando porquês. Nada. Natal. Nódoas.

A sobrinha pequena bate na janela. Não vai entrar não? A boneca que acabou de ganhar chora de verdade, ela mostra. Chora de verdade, repete. Sorri de mentira, remói.


Por:

Eder Alex

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O Homem Sem Passado

Havia um homem que não se lembrava de nada. Por mais que repetisse seus lamentos, nada revivia as luzes de sua memória. Esse homem recebia de maneira integral e alinhada o privilégio de não ter lembranças de sua triste sorte. Era um pobre homem. E o escritor não gostava dele – nutrindo até certa inveja de contornos trágicos. Leitor, um escritor ávido é um escritor que mata – principalmente em datas que se comemoram símbolos sacros.O homem sem passado era um ser sem amplitudes ou visões fabulosas – tomou seu café com a esperança vã de renascer em um só momento esplêndido. Mas não tinha muita certeza disso.- Ainda lembrar-me-ei de tudo. Um dia, sim, um dia.O autor não acreditava conceber alguém que existisse sem a consciência de ser. E resolveu, então, lançar vozes nos caminhos enganosos de seu personagem.- Escute, homem sem passado, cansei de você e essa será a sua história: respira pouco, pouco pensa o homem sem passado. Como é viver sem saber de onde surgiu e qual é o testamento? Quais as violações e atos plebeus? O homem sem passado corre na direção do penhasco e cai vôo livre na vitrine chão.Estoura todo. Fim.O escritor nem se comove. Sempre gostou de aniquilar seus personagens. Ainda mais de narrar gestos de gente que só se lembra de morrer sob as luzes das árvores falsas da estação.
Por Daniel Zanella

O Homem Sem Passado

Havia um homem que não se lembrava de nada. Por mais que repetisse seus lamentos, nada revivia as luzes de sua memória. Esse homem recebia de maneira integral e alinhada o privilégio de não ter lembranças de sua triste sorte. Era um pobre homem. E o escritor não gostava dele – nutrindo até certa inveja de contornos trágicos. Leitor, um escritor ávido é um escritor que mata – principalmente em datas que se comemoram símbolos sacros.O homem sem passado era um ser sem amplitudes ou visões fabulosas – tomou seu café com a esperança vã de renascer em um só momento esplêndido. Mas não tinha muita certeza disso.- Ainda lembrar-me-ei de tudo. Um dia, sim, um dia.O autor não acreditava conceber alguém que existisse sem a consciência de ser. E resolveu, então, lançar vozes nos caminhos enganosos de seu personagem.- Escute, homem sem passado, cansei de você e essa será a sua história: respira pouco, pouco pensa o homem sem passado. Como é viver sem saber de onde surgiu e qual é o testamento? Quais as violações e atos plebeus? O homem sem passado corre na direção do penhasco e cai vôo livre na vitrine chão.Estoura todo. Fim.O escritor nem se comove. Sempre gostou de aniquilar seus personagens. Ainda mais de narrar gestos de gente que só se lembra de morrer sob as luzes das árvores falsas da estação.
Por Daniel Zanella

Ser Papai – Noel

Ser Papai – Noel não é só distribuir presentes...
Para as crianças pobres , simples e carentes!
Ser Papai – Noel é sorrir com simpatia...
Por todo o ano , todos os dias!

Ser um excelente Papai – Noel...
É pegar um trenó para o céu!
Sabendo que as doze renas radiante ...
São os doze meses cintilantes...

Do novo ano que aparece agora...
Ser Papai – Noel é colocar para fora...
Todo o bom e tímido sentimento,
Que nunca será levado pelo vento!

É colocar o gorro da sabedoria...
Penteando as barbas da alegria!
Calçando as botas da esperança...
Na música que o sino balança!

Ser Papai – Noel é ter paciência...
Mesmo estando com o saco cheio...
É saber dosar entre a alma e a Ciência...
Sem prejudicar o que é alheio!

Ser Papai – Noel não é só distribuir presentes...
Para as crianças pobres , simples e carentes!
Ser Papai – Noel é sorrir com simpatia...
Por todo o ano , todos os dias.

por:
Luciana do Rocio Mallon

Ser Papai – Noel

Ser Papai – Noel não é só distribuir presentes...
Para as crianças pobres , simples e carentes!
Ser Papai – Noel é sorrir com simpatia...
Por todo o ano , todos os dias!

Ser um excelente Papai – Noel...
É pegar um trenó para o céu!
Sabendo que as doze renas radiante ...
São os doze meses cintilantes...

Do novo ano que aparece agora...
Ser Papai – Noel é colocar para fora...
Todo o bom e tímido sentimento,
Que nunca será levado pelo vento!

É colocar o gorro da sabedoria...
Penteando as barbas da alegria!
Calçando as botas da esperança...
Na música que o sino balança!

Ser Papai – Noel é ter paciência...
Mesmo estando com o saco cheio...
É saber dosar entre a alma e a Ciência...
Sem prejudicar o que é alheio!

Ser Papai – Noel não é só distribuir presentes...
Para as crianças pobres , simples e carentes!
Ser Papai – Noel é sorrir com simpatia...
Por todo o ano , todos os dias.

por:
Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Trevas Nocturnas


A noite de Natal clama por vingança. Desilusões. Mentiras (muitas). E alguém caminha em busca de um fim. Uma morte é desenhada. Uma vala é aberta – a mesma cova dos mortos é a moradia dos desenganados.

Alguém esconde seus pesadelos – sabemos que o dia clareia a lepra dos enfermos – e ninguém mais precisa de espelhos que mostrem lembranças dolorosas em engenhos de dentro.

O criminoso se aproxima: ninguém sabe ainda, também a alma não sabe se enfarta ou se palpita. Seu avanço não permite ao condenado nem tempo de emitir um ruído lancinante. Uma faca atravessa as costas do homem desavisado de sua prematura morte – o sangue jorra como em períodos de escassa chuva e de poucos brinquedos. O criminoso sorri salivando, dizendo seco, o sangue escorrendo na calça, alguém se ajoelhando de dor:


- Você não me trai mais... Você não me trai mais.

E o dia amanhece com um corpo retalhado no meio da rua (um simulacro de Papai Noel chega cedo pra trabalhar e se caracterizar na loja de calçados em frente) e um instrumento cortante se faz presente na cama de um homem que não sabe dizer pra si porque coberto de sangue – já que nitidamente não é seu o sangue todo poente e cheirando flores fúnebres. O Papai Noel começa a distribuir balas.


Por:

Daniel Zanella

Trevas Nocturnas


A noite de Natal clama por vingança. Desilusões. Mentiras (muitas). E alguém caminha em busca de um fim. Uma morte é desenhada. Uma vala é aberta – a mesma cova dos mortos é a moradia dos desenganados.

Alguém esconde seus pesadelos – sabemos que o dia clareia a lepra dos enfermos – e ninguém mais precisa de espelhos que mostrem lembranças dolorosas em engenhos de dentro.

O criminoso se aproxima: ninguém sabe ainda, também a alma não sabe se enfarta ou se palpita. Seu avanço não permite ao condenado nem tempo de emitir um ruído lancinante. Uma faca atravessa as costas do homem desavisado de sua prematura morte – o sangue jorra como em períodos de escassa chuva e de poucos brinquedos. O criminoso sorri salivando, dizendo seco, o sangue escorrendo na calça, alguém se ajoelhando de dor:


- Você não me trai mais... Você não me trai mais.

E o dia amanhece com um corpo retalhado no meio da rua (um simulacro de Papai Noel chega cedo pra trabalhar e se caracterizar na loja de calçados em frente) e um instrumento cortante se faz presente na cama de um homem que não sabe dizer pra si porque coberto de sangue – já que nitidamente não é seu o sangue todo poente e cheirando flores fúnebres. O Papai Noel começa a distribuir balas.


Por:

Daniel Zanella

UM LUGAR LEGAL PRA ESTAR

Ela me disse casualmente
que havia notado a mancha de sangue na minha camisa
Disse a ela: Não se preocupe, não é nada
Ela respondeu: Eu não tô preocupada
Resmunguei: é melhor assim
Achei que podia me divertir um pouco
assistindo uma luta de boxe na tv
Tirei a camisa manchada de sangue e joguei no tanque
Ela vestiu uma micro-saia e saiu pra rua
Abri uma cerveja e resolvi esperar
Os ponteiros do relógio eram guilhotinas no meu pescoço
Quando ela voltou, não falei nada
Fiquei no escuro vendo ela se mexer
deixando cair sua saia
no caminho pro banheiro
Deixou a luz acesa e ouvi o barulho
não vou usar de eufemismos nesse momento
pra dizer o que ela estava fazendo
somos um casal com tempo de serviço
nossa indiferença mútua provava isso
meu enorme peso no sofá atestava isso
Ela acendeu um cigarro no escuro da sala
e a chama do isqueiro fez com que ela me notasse
"é mais difícil do que você imagina", ela disse
e o seu desprezo me acertou como um blefe de pôquer
Ainda ficou um tempo olhando pra mim
antes de vencer o orgulho e perguntar
"O que era a mancha na sua camisa?"
"Já disse. Não é nada. Não precisa se preocupar"
Ela soltou um foda-se e foi pro quarto,
deitou e ficou fumando olhando o teto
Levantei e fui até o banheiro
Cambaleei e tive que me apoiar na porta
Abri o armário e peguei o mercúrio cromo
ou você não sabia que a maioria das histórias de amor
terminam com alguém limpando as feridas?


Por:
Mário Bortolotto

UM LUGAR LEGAL PRA ESTAR

Ela me disse casualmente
que havia notado a mancha de sangue na minha camisa
Disse a ela: Não se preocupe, não é nada
Ela respondeu: Eu não tô preocupada
Resmunguei: é melhor assim
Achei que podia me divertir um pouco
assistindo uma luta de boxe na tv
Tirei a camisa manchada de sangue e joguei no tanque
Ela vestiu uma micro-saia e saiu pra rua
Abri uma cerveja e resolvi esperar
Os ponteiros do relógio eram guilhotinas no meu pescoço
Quando ela voltou, não falei nada
Fiquei no escuro vendo ela se mexer
deixando cair sua saia
no caminho pro banheiro
Deixou a luz acesa e ouvi o barulho
não vou usar de eufemismos nesse momento
pra dizer o que ela estava fazendo
somos um casal com tempo de serviço
nossa indiferença mútua provava isso
meu enorme peso no sofá atestava isso
Ela acendeu um cigarro no escuro da sala
e a chama do isqueiro fez com que ela me notasse
"é mais difícil do que você imagina", ela disse
e o seu desprezo me acertou como um blefe de pôquer
Ainda ficou um tempo olhando pra mim
antes de vencer o orgulho e perguntar
"O que era a mancha na sua camisa?"
"Já disse. Não é nada. Não precisa se preocupar"
Ela soltou um foda-se e foi pro quarto,
deitou e ficou fumando olhando o teto
Levantei e fui até o banheiro
Cambaleei e tive que me apoiar na porta
Abri o armário e peguei o mercúrio cromo
ou você não sabia que a maioria das histórias de amor
terminam com alguém limpando as feridas?


Por:
Mário Bortolotto

Análise da música "Dança do Créu", uma composição de Mc Créu.


Dança do Créu

É créu!
É créu nelas!
É créu!
É créu nelas!
"Vambora, que vamo"!
"Vambora, que vamo"!

Prá dança créu
Tem que ter disposição
Prá dança créu
Tem que ter habilidade
Pois essa dança
Ela não é mole não
Eu venho te lembrar
Que são 5 velocidades...(2x)

A primeira é devagarzinho
Só o aprendizado.
É assim, oh!
Créeeeu...(3x)
Se ligou? De novo!
Crééééu...(3x)

Número 2! (repete até o 5)
Créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Continua fácil, né?
De novo!
Créu, créu, créu,
Créu, créu, créu!

A genialidade deste compositor está presente já na escolha do título. Percebemos aqui, através da autoreferência proposta por ele como forma de ironia (Eu mesmo=Eu Lírico - Créu Mc=Créu Lírico), um artista que se debruça sobre sua própria complexidade. Ora, a visão antropomórfica de mundo é uma marca representativa da contemporaneidade atual do mundo de hoje em dia. O homencentrismo ou metrossexualismo é a chave para entendermos a sociedade pós-moderna, em que o espelho é o símbolo máximo da ausência de solidão. Quando o homem passa a amar a sim mesmo (ver: Dicionário Aurélio: masturbação) ele consegue perceber que os outros seres humanos fazem apenas parte do cenário, do plano de fundo de suas vidas. Sendo todos eles, portanto, descartáveis, principalmente as mulhes, pois são seres completamente diferentes dos corpos que eles estão acostumados a ver e admirar diante do espelho (ver: academia, musculação).

Ao tratar a mulher como sendo apenas um pedaço de carne pendurado no açougue, como vemos no iluminado verso "É créu nelas!", que aliás é claramente inspirado na poesia clássica grega, dada a sua sutileza, percebemos a acuidade da crítica que se pretende fazer à essa sociedade contemporânea, dominada por valores efêmeros.

É vidente que um poeta do quilate de Mc Créu não preocuparia-se em orquestrar seu arsenal intelectual com apenas uma série de idéias jogadas ao vento. É, sobretudo, na preocupação estética presente na poesia do gênio, que nós percebemos a importância de sua obra. Tento em vista a degradação da mentalidade do povo e da rápida ("são 5 velocidades") propagação das idéias mastigadas pela mídia, o poeta (brilhantemente, diga-se) conseguiu transpor para a música, a sensação perturbadora de repetição, de sofrimento cíclico do qual a humanidade não consegue se desvencilhar: "Créu, créu, créu" (ver: eleições 2008).

A inadequação do homem diante dessa sociedade, com um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e exigente, está presente nos versos "Tem que ter disposição", "Tem que ter habilidade". Todas as forças do homem são sugadas por este mundo corporativista, no qual a felicidade é apenas um item obsoleto desta existência tão aterradora, "Ela não é mole não".

Mc Créu nos deixa, através de sua magnífica obra, de indizível importância, a mensagem (ver: Paulo Coelho) de que todo esse sofrimento é "só o aprendizado" e que as quedas fazem parte desta nossa evolução enquanto seres humanos, que não podemos desistir diante da primeira dificuldade, embora saibamos que "A primeira é devagarzinho", temos consciência de que podemos superá-la com rapidez, dependendo apenas de nós mesmos e da pedra filosofal (ver: J. K. Rowling).


Por:

Eder Alex

Análise da música "Dança do Créu", uma composição de Mc Créu.


Dança do Créu

É créu!
É créu nelas!
É créu!
É créu nelas!
"Vambora, que vamo"!
"Vambora, que vamo"!

Prá dança créu
Tem que ter disposição
Prá dança créu
Tem que ter habilidade
Pois essa dança
Ela não é mole não
Eu venho te lembrar
Que são 5 velocidades...(2x)

A primeira é devagarzinho
Só o aprendizado.
É assim, oh!
Créeeeu...(3x)
Se ligou? De novo!
Crééééu...(3x)

Número 2! (repete até o 5)
Créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Continua fácil, né?
De novo!
Créu, créu, créu,
Créu, créu, créu!

A genialidade deste compositor está presente já na escolha do título. Percebemos aqui, através da autoreferência proposta por ele como forma de ironia (Eu mesmo=Eu Lírico - Créu Mc=Créu Lírico), um artista que se debruça sobre sua própria complexidade. Ora, a visão antropomórfica de mundo é uma marca representativa da contemporaneidade atual do mundo de hoje em dia. O homencentrismo ou metrossexualismo é a chave para entendermos a sociedade pós-moderna, em que o espelho é o símbolo máximo da ausência de solidão. Quando o homem passa a amar a sim mesmo (ver: Dicionário Aurélio: masturbação) ele consegue perceber que os outros seres humanos fazem apenas parte do cenário, do plano de fundo de suas vidas. Sendo todos eles, portanto, descartáveis, principalmente as mulhes, pois são seres completamente diferentes dos corpos que eles estão acostumados a ver e admirar diante do espelho (ver: academia, musculação).

Ao tratar a mulher como sendo apenas um pedaço de carne pendurado no açougue, como vemos no iluminado verso "É créu nelas!", que aliás é claramente inspirado na poesia clássica grega, dada a sua sutileza, percebemos a acuidade da crítica que se pretende fazer à essa sociedade contemporânea, dominada por valores efêmeros.

É vidente que um poeta do quilate de Mc Créu não preocuparia-se em orquestrar seu arsenal intelectual com apenas uma série de idéias jogadas ao vento. É, sobretudo, na preocupação estética presente na poesia do gênio, que nós percebemos a importância de sua obra. Tento em vista a degradação da mentalidade do povo e da rápida ("são 5 velocidades") propagação das idéias mastigadas pela mídia, o poeta (brilhantemente, diga-se) conseguiu transpor para a música, a sensação perturbadora de repetição, de sofrimento cíclico do qual a humanidade não consegue se desvencilhar: "Créu, créu, créu" (ver: eleições 2008).

A inadequação do homem diante dessa sociedade, com um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e exigente, está presente nos versos "Tem que ter disposição", "Tem que ter habilidade". Todas as forças do homem são sugadas por este mundo corporativista, no qual a felicidade é apenas um item obsoleto desta existência tão aterradora, "Ela não é mole não".

Mc Créu nos deixa, através de sua magnífica obra, de indizível importância, a mensagem (ver: Paulo Coelho) de que todo esse sofrimento é "só o aprendizado" e que as quedas fazem parte desta nossa evolução enquanto seres humanos, que não podemos desistir diante da primeira dificuldade, embora saibamos que "A primeira é devagarzinho", temos consciência de que podemos superá-la com rapidez, dependendo apenas de nós mesmos e da pedra filosofal (ver: J. K. Rowling).


Por:

Eder Alex

Cruz Credo Indica






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Para fazer downlaod das faixas e da capa do cd clique com o botão direito sobre o nome da música e depois em "Salvar destino como".

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Fonte: http://www.radiocaos.com.br/

Cruz Credo Indica






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Fonte: http://www.radiocaos.com.br/

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Operação Condor


por:
Benet Benett

Operação Condor


por:
Benet Benett

Conto de Natal



Garoto pequeno, maroto, com desgosto, sofrido...

Sempre sonhando com um dia melhor

Esperou o papai noel

Para ver o que iria ganhar no natal

Só que com essa vida de tanta lástima

Não pediu muita coisa não...

Queria apenas paz e algo para comer no ano seguinte

Sua vida maluca...

No meio de gente perdida

Sofre tanto quanto um homem maduro

Vive vivendo

Sem saber o que te espera

Acredita que existe gente que tem uma vida melhor

Acredita que as famílias são unidas

Acredita que o futuro é melhor do que o presente..

Em semáforos tardios...

Pedindo esmola por obrigação

Não é bem isso que almeja em sua vida

Chora... Toda vez que não consegue dinheiro

Sabe que aquele dinheiro é o sustento da casa

Sua mãe é traficante...

seu pai é alcoólatra...

seus irmãos estão presos

e ainda este garoto é vigiado toda vez que pede esmola na rua

pois o seu choro de sofrimento é por apanhar senão trouxer comida

para casa...

um dia esse garoto acordou e pensou: “de que valeria tanto sofrimento?

tenho apenas 10 anos, quero ser alguém, não posso sofrer por pessoas que não lutam... São meus pais... Minha família... Mas quero que um dia se orgulhem de mim... Mas, um dia”

Conheceu um Papai Noel...

Nessas cartinhas que mandam para o correio...

Apenas pediu assim:

“ Tenho 10 anos e sustento minha família e quero ser alguém, querido papai noel, seria isso justo? Me ajude...”

Em face ao pedido desse garoto que tinha a sua cartinha pendurada na árvore de natal dos Correios, uma pessoa de bom coração pegou a sua carta e ao ler levou um susto, pois normalmente uma criança iria pedir um brinquedo e não pensar tão a frente de seus princípios....

Leu a carta, pensou, como poderia ajudar...

Resolveu no dia do natal ir conhecer pessoalmente essa criança

E ofereceu para ela estudos até o final de sua faculdade e cesta básica para a sua família

O garoto ficou surpreendido e batalhou muito para que de tudo isso brotasse muitos frutos futuros... E assim, após 15 anos fez sua faculdade, está trabalhando e se tornou um médico que cuida de toda a comunidade da sua antiga moradia...

Moral desse Natal: não desistam dos seus sonhos, busquem sempre... Nunca se acomodem... O passado acabou e agora vamos viver o ano seguinte com muita força e garra para que sejamos bons velhinhos HOHOHOHO!

Feliz Natal e Feliz ano Novo!!!



Por:

Giovana Martignago



Conto de Natal



Garoto pequeno, maroto, com desgosto, sofrido...

Sempre sonhando com um dia melhor

Esperou o papai noel

Para ver o que iria ganhar no natal

Só que com essa vida de tanta lástima

Não pediu muita coisa não...

Queria apenas paz e algo para comer no ano seguinte

Sua vida maluca...

No meio de gente perdida

Sofre tanto quanto um homem maduro

Vive vivendo

Sem saber o que te espera

Acredita que existe gente que tem uma vida melhor

Acredita que as famílias são unidas

Acredita que o futuro é melhor do que o presente..

Em semáforos tardios...

Pedindo esmola por obrigação

Não é bem isso que almeja em sua vida

Chora... Toda vez que não consegue dinheiro

Sabe que aquele dinheiro é o sustento da casa

Sua mãe é traficante...

seu pai é alcoólatra...

seus irmãos estão presos

e ainda este garoto é vigiado toda vez que pede esmola na rua

pois o seu choro de sofrimento é por apanhar senão trouxer comida

para casa...

um dia esse garoto acordou e pensou: “de que valeria tanto sofrimento?

tenho apenas 10 anos, quero ser alguém, não posso sofrer por pessoas que não lutam... São meus pais... Minha família... Mas quero que um dia se orgulhem de mim... Mas, um dia”

Conheceu um Papai Noel...

Nessas cartinhas que mandam para o correio...

Apenas pediu assim:

“ Tenho 10 anos e sustento minha família e quero ser alguém, querido papai noel, seria isso justo? Me ajude...”

Em face ao pedido desse garoto que tinha a sua cartinha pendurada na árvore de natal dos Correios, uma pessoa de bom coração pegou a sua carta e ao ler levou um susto, pois normalmente uma criança iria pedir um brinquedo e não pensar tão a frente de seus princípios....

Leu a carta, pensou, como poderia ajudar...

Resolveu no dia do natal ir conhecer pessoalmente essa criança

E ofereceu para ela estudos até o final de sua faculdade e cesta básica para a sua família

O garoto ficou surpreendido e batalhou muito para que de tudo isso brotasse muitos frutos futuros... E assim, após 15 anos fez sua faculdade, está trabalhando e se tornou um médico que cuida de toda a comunidade da sua antiga moradia...

Moral desse Natal: não desistam dos seus sonhos, busquem sempre... Nunca se acomodem... O passado acabou e agora vamos viver o ano seguinte com muita força e garra para que sejamos bons velhinhos HOHOHOHO!

Feliz Natal e Feliz ano Novo!!!



Por:

Giovana Martignago



domingo, 21 de dezembro de 2008

Bolinha do Pinheiro de Natal

As luzes coloridas no Natal...
De um jeito muito faceiro...
Fizeram um reflexo especial...
Na bolinha do pinheiro!

Nesta bola vi a minha imagem...
Mas como um espelho encantado...
Avistei você numa paisagem...
No novo ano abençoado!

Esta bolinha de Natal...
Do mágico pinheiro...
Virou bola de cristal...
No encanto verdadeiro!

Nela vi uma mensagem de paz...
E no céu avistei a estrela lilás.

texto por:
Luciana do Rocio Mallon

Bolinha do Pinheiro de Natal

As luzes coloridas no Natal...
De um jeito muito faceiro...
Fizeram um reflexo especial...
Na bolinha do pinheiro!

Nesta bola vi a minha imagem...
Mas como um espelho encantado...
Avistei você numa paisagem...
No novo ano abençoado!

Esta bolinha de Natal...
Do mágico pinheiro...
Virou bola de cristal...
No encanto verdadeiro!

Nela vi uma mensagem de paz...
E no céu avistei a estrela lilás.

texto por:
Luciana do Rocio Mallon

sábado, 20 de dezembro de 2008

Frankenstein Filosófico


Como aprendemos bem rápido na vida que não somos capazes de sustentar o que dizemos, desenvolvemos um mecanismo bem simples de auto-engano. Procuramos nas palavras e versos, dos escritos dos pensadores, ecos dos gemidos intelectuais - na verdade estão dentro de nós - na forma inconsciente, e que temos covardia de assumir como nossos. Os usamos então quando convém, aproveitando-nos da fama destes filósofos.
Se se analisar com honestidade, ninguém concordará plenamente, com quem quer que seja. Por mais identificação que haja, ninguém que seja franco em sua análise, concordará com o pensamento de todas as fases da vida de um filósofo, em todas as fases da própria vida, mesmo porque, ambos darão prova em algum ponto, da própria contraditoriedade, quem dirá se confrontadas estas inter-relações entre o ídolo e o idolatra. Mesmo porque, na maioria das vezes, estes não chegam sequer a se conhecer contemporaneamente, muito menos então, em aspectos psicológicos mais profundos.
Daí se criar uma colcha de retalhos. Isolamos frases, conceitos, ou mesmo livros, de vários pensadores, para confeccionarmos daí, nossa aljava de flechas envenenadas, a serem usadas nas nossas banais discussões de bar ou de cantina de faculdade. Mesmo que, geralmente, tais pensadores nem sequer concordem entre si, nas suas obras completas. Cada um se considera “humildemente”, “o filtro capaz de extrair o melhor e a verdade de cada um deles”.
Como fez o Dr. Frankenstein, criamos um monstro formado por pedaços de filósofos e a este damos vida em nós mesmos em nosso cotidiano. Daí se ter por aí pessoas com os olhos de Kant e os ouvidos de Nietzsche. As pernas de Trotsky e os braços de Adam Smith. O sexo de Voltaire e o coração de Madre Teresa. Daí se ter pessoas mais marxistas que o próprio Marx. Entre outras disparidades monstruosas.
Por isso peço, me deixem em paz com Jesus!
Que cada um, se quiser costurar para si um Frankenstein filosófico, incorporá-lo, e dar a ele a existência tão curta quanto à de sua própria vida e existência temporal, tudo bem. Não tenho nada com isso, fique com seu monstro mortal e o ame e o use o quanto quiser e puder.
Só peço que me deixe em paz com Jesus, tendo ele e somente ele, como referência interpretativa da vida. Fique em paz com seus pedacinhos de filósofos e me deixem em paz no meu canto, com Jesus inteiro. Ele não citava outros como base de sua pregação, ele citava a si mesmo, como o agente interativo, narrador e personagem de uma história viva. Frankenstein e seu monstro tiveram um fim, Jesus não. Ele não se escondia atrás da fama de outros. Ele não citava fontes bibliográficas. Ele simplesmente dizia:
-Eu sou a fonte...

por:
Samuel Victor

Frankenstein Filosófico


Como aprendemos bem rápido na vida que não somos capazes de sustentar o que dizemos, desenvolvemos um mecanismo bem simples de auto-engano. Procuramos nas palavras e versos, dos escritos dos pensadores, ecos dos gemidos intelectuais - na verdade estão dentro de nós - na forma inconsciente, e que temos covardia de assumir como nossos. Os usamos então quando convém, aproveitando-nos da fama destes filósofos.
Se se analisar com honestidade, ninguém concordará plenamente, com quem quer que seja. Por mais identificação que haja, ninguém que seja franco em sua análise, concordará com o pensamento de todas as fases da vida de um filósofo, em todas as fases da própria vida, mesmo porque, ambos darão prova em algum ponto, da própria contraditoriedade, quem dirá se confrontadas estas inter-relações entre o ídolo e o idolatra. Mesmo porque, na maioria das vezes, estes não chegam sequer a se conhecer contemporaneamente, muito menos então, em aspectos psicológicos mais profundos.
Daí se criar uma colcha de retalhos. Isolamos frases, conceitos, ou mesmo livros, de vários pensadores, para confeccionarmos daí, nossa aljava de flechas envenenadas, a serem usadas nas nossas banais discussões de bar ou de cantina de faculdade. Mesmo que, geralmente, tais pensadores nem sequer concordem entre si, nas suas obras completas. Cada um se considera “humildemente”, “o filtro capaz de extrair o melhor e a verdade de cada um deles”.
Como fez o Dr. Frankenstein, criamos um monstro formado por pedaços de filósofos e a este damos vida em nós mesmos em nosso cotidiano. Daí se ter por aí pessoas com os olhos de Kant e os ouvidos de Nietzsche. As pernas de Trotsky e os braços de Adam Smith. O sexo de Voltaire e o coração de Madre Teresa. Daí se ter pessoas mais marxistas que o próprio Marx. Entre outras disparidades monstruosas.
Por isso peço, me deixem em paz com Jesus!
Que cada um, se quiser costurar para si um Frankenstein filosófico, incorporá-lo, e dar a ele a existência tão curta quanto à de sua própria vida e existência temporal, tudo bem. Não tenho nada com isso, fique com seu monstro mortal e o ame e o use o quanto quiser e puder.
Só peço que me deixe em paz com Jesus, tendo ele e somente ele, como referência interpretativa da vida. Fique em paz com seus pedacinhos de filósofos e me deixem em paz no meu canto, com Jesus inteiro. Ele não citava outros como base de sua pregação, ele citava a si mesmo, como o agente interativo, narrador e personagem de uma história viva. Frankenstein e seu monstro tiveram um fim, Jesus não. Ele não se escondia atrás da fama de outros. Ele não citava fontes bibliográficas. Ele simplesmente dizia:
-Eu sou a fonte...

por:
Samuel Victor

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Crônica de Uma Fúria







O cachorro pequeno, filhote, modesto, branco de manchas marrons, desafia a atenção de um grupo de três crianças, que brincam no quintal cheio de pedregulhos, tocos de árvores, cores sujas. O cachorro lépido e ágil percorre em movimentos circulares de duvidosa galhardia o barril em que estão sentadas as crianças, matreiras, jogando pedrinhas nas poças d’água.

As crianças riem, desfeitas do mundo e de obrigações adultas. O tempo não representa qualquer conceito absoluto. O cachorrinho, explorador curioso do meio, encontra um remendo, um trapo no muro do quintal. Talvez um protótipo de cortina, algo que algum dia teve personalidade. As crianças gracejam de uma senhora abundante de sacolas e analisam outros traços de igual fartura. O cachorro briga com o remendo e, vencedor, se vê diante de um buraco, um mundo novo e de virgem horizonte. Num arroubo de sagacidade, o cachorro se lança à rua, sem saber direito pra que lado correr, bobo de sua liberdade.

Uma das crianças percebe a falta do cachorrinho no quintal e sobe no barril, apesar dos protestos veementes da bancada. Lá está esse peralta, na rua. Avisa o maior do grupo, que se arremessa imediata e lentamente ao chão. Dá alguns passos seguros e matemáticos rumo ao muro, pulando o obstáculo com notável atletismo, sem barulho. A criança, esguia, albina, se veste de um cabo de vassoura encostado no muro e se aproxima do cão, ainda vertiginoso de sua competente fuga. O filhote não percebe a aproximação. A criança dá mais alguns passos lentos e desfere dois poderosos golpes, que atingem a cabeça e as pernas do bicho.

Desperto do castigo infringido, o cão corre em disparada, esbravejando ganidos poderosos, difíceis de se imaginar diante da modéstia de seus traços humildes. Enquanto atravesso a rua, as crianças decidem jogar bola. O cão chora num único lamento animal, ocupado de sua lancinante expiação, inconsciente de seu crime, mas provavelmente cônscio de sua absoluta e furiosa dor. O cachorro está escondido e seus gritos ainda podem ser ouvidos após uma quadra de passos tristes. Mal sabia o cão da importância do trapo humano.





por:

Daniel Zanella