Dança do Créu
É créu!
É créu nelas!
É créu!
É créu nelas!
"Vambora, que vamo"!
"Vambora, que vamo"!
Prá dança créu
Tem que ter disposição
Prá dança créu
Tem que ter habilidade
Pois essa dança
Ela não é mole não
Eu venho te lembrar
Que são 5 velocidades...(2x)
A primeira é devagarzinho
Só o aprendizado.
É assim, oh!
Créeeeu...(3x)
Se ligou? De novo!
Crééééu...(3x)
Número 2! (repete até o 5)
Créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Continua fácil, né?
De novo!
Créu, créu, créu,
Créu, créu, créu!
A genialidade deste compositor está presente já na escolha do título. Percebemos aqui, através da autoreferência proposta por ele como forma de ironia (Eu mesmo=Eu Lírico - Créu Mc=Créu Lírico), um artista que se debruça sobre sua própria complexidade. Ora, a visão antropomórfica de mundo é uma marca representativa da contemporaneidade atual do mundo de hoje em dia. O homencentrismo ou metrossexualismo é a chave para entendermos a sociedade pós-moderna, em que o espelho é o símbolo máximo da ausência de solidão. Quando o homem passa a amar a sim mesmo (ver: Dicionário Aurélio: masturbação) ele consegue perceber que os outros seres humanos fazem apenas parte do cenário, do plano de fundo de suas vidas. Sendo todos eles, portanto, descartáveis, principalmente as mulhes, pois são seres completamente diferentes dos corpos que eles estão acostumados a ver e admirar diante do espelho (ver: academia, musculação).
Ao tratar a mulher como sendo apenas um pedaço de carne pendurado no açougue, como vemos no iluminado verso "É créu nelas!", que aliás é claramente inspirado na poesia clássica grega, dada a sua sutileza, percebemos a acuidade da crítica que se pretende fazer à essa sociedade contemporânea, dominada por valores efêmeros.
É vidente que um poeta do quilate de Mc Créu não preocuparia-se em orquestrar seu arsenal intelectual com apenas uma série de idéias jogadas ao vento. É, sobretudo, na preocupação estética presente na poesia do gênio, que nós percebemos a importância de sua obra. Tento em vista a degradação da mentalidade do povo e da rápida ("são 5 velocidades") propagação das idéias mastigadas pela mídia, o poeta (brilhantemente, diga-se) conseguiu transpor para a música, a sensação perturbadora de repetição, de sofrimento cíclico do qual a humanidade não consegue se desvencilhar: "Créu, créu, créu" (ver: eleições 2008).
A inadequação do homem diante dessa sociedade, com um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e exigente, está presente nos versos "Tem que ter disposição", "Tem que ter habilidade". Todas as forças do homem são sugadas por este mundo corporativista, no qual a felicidade é apenas um item obsoleto desta existência tão aterradora, "Ela não é mole não".
Mc Créu nos deixa, através de sua magnífica obra, de indizível importância, a mensagem (ver: Paulo Coelho) de que todo esse sofrimento é "só o aprendizado" e que as quedas fazem parte desta nossa evolução enquanto seres humanos, que não podemos desistir diante da primeira dificuldade, embora saibamos que "A primeira é devagarzinho", temos consciência de que podemos superá-la com rapidez, dependendo apenas de nós mesmos e da pedra filosofal (ver: J. K. Rowling).
Por:
Eder Alex
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