quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Ingratidão

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Dias desses conversava com uma formiga que encontrei solitária na rua. Quase em todas as conversas se tira proveito de alguma coisa: fatos contados, experiências vividas, seja lá o que for. Pois bem, no caso da formiga foi uma experiência. Ela tinha perdido sua família, seus amigos, sua moradia numa enchente que aconteceu na região onde morava.

Como bom cidadão propus ajuda à formiga. Disse que contribuiria com uma porção de terra para a construção de um novo lar. Alimentos ela conseguiria por conta própria. Ela ficou muito agradecida. Trocamos contatos. Eu agilizei o que tinha prometido e entreguei em outro encontro.

Um dia eu estava macambúzio, sorumbático, taciturno por estresse do serviço. Vi a formiga que tinha ajudado um dia. Ela já estava com uma casa nova, tinha vários filhos, uma mulher exuberante, um automóvel GM completo e cheio de firulas, enfim reconstruiu sua vida de modo que obteve êxito facilmente em pouco tempo.

Chegada a minha hora de pedir ajuda ou conselho – algo que me desse auto-estima –, por mais que pouco tinha ajudado àquela simples e pobre formiga, ela me esnobou, fez que não me reconheceu e saiu cantando pneu com seu GM. Num estado lastimável em que me encontrava, cabisbaixo, eu corri atrás da formiga e esmaguei seu carro e ela com uma forte pisada. Nem quis saber de conversa antes de tomar essa atitude de assassinato. As formigas não merecem uma mão amiga. Como de praxe já nos noticiários das formigas mais um pé havia matado uma formiga; não sabiam qual era a causa da tragédia. Talvez um dia elas caiam na realidade e aprendam não subestimar os outros e serem ingratas. Além de tudo, comi a mulher daquela formiga e todas as suas filhas.



Por:

Victor Amaral





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