terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Trevas Nocturnas


A noite de Natal clama por vingança. Desilusões. Mentiras (muitas). E alguém caminha em busca de um fim. Uma morte é desenhada. Uma vala é aberta – a mesma cova dos mortos é a moradia dos desenganados.

Alguém esconde seus pesadelos – sabemos que o dia clareia a lepra dos enfermos – e ninguém mais precisa de espelhos que mostrem lembranças dolorosas em engenhos de dentro.

O criminoso se aproxima: ninguém sabe ainda, também a alma não sabe se enfarta ou se palpita. Seu avanço não permite ao condenado nem tempo de emitir um ruído lancinante. Uma faca atravessa as costas do homem desavisado de sua prematura morte – o sangue jorra como em períodos de escassa chuva e de poucos brinquedos. O criminoso sorri salivando, dizendo seco, o sangue escorrendo na calça, alguém se ajoelhando de dor:


- Você não me trai mais... Você não me trai mais.

E o dia amanhece com um corpo retalhado no meio da rua (um simulacro de Papai Noel chega cedo pra trabalhar e se caracterizar na loja de calçados em frente) e um instrumento cortante se faz presente na cama de um homem que não sabe dizer pra si porque coberto de sangue – já que nitidamente não é seu o sangue todo poente e cheirando flores fúnebres. O Papai Noel começa a distribuir balas.


Por:

Daniel Zanella

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