domingo, 14 de dezembro de 2008

Previsível





Vazio, difuso e confuso. Espero um momento de esclarecimento por direito

uniforme, após os sete dias de insegurança, após sete dias sem ver a luz

do sol, sigo o rumo dos corvos, farejo qual a direção faz mais sentido

após um tempo de ressonância incomplementar sobre os meus pseudônimos pensamentos.



Brinco com cada adjetivo mal colocado por seqüelas irrefutáveis, sinto cada

nota que constitui um acorde de passagem, finjo entender a faixa fúnebre que cobre

meus pulmões. Obrigo-me a inalar, necessito da regalia de dizer adeus a

simplória coragem, por mim mesmo.



Troco, recorro, digo que não foi por mal e que não cabe a mim a resignação

de entender o que escrevo, logo, descarto e recomeço um novo verso, fazendo referência

a meus conceitos redundantes.



Pulo mais uma linha, pulo mais uma idéia, um fetiche, uma ironia característica

do meu não-eu. Sinto os feixes de luz e as camadas perfurando minhas retinas,

calmamente, lentamente, precisa e direta na despressurização das citações

e dos ideais alheios... Familiares, comuns, perfeccionistas... Porém, alheios.



Finjo terminar o texto, brinco com a descendência cromática e a volta a

tonalidade central de mim mesmo para resultar na próxima frase do próximo

capitulo. Acalmo os ânimos dos presumidos e acalentos olhos atentos, faço

jazer óleo nos mecanismos antes dormentes e agora presentes.



Reescrevo mais uma linha, choro, rio, jogo meus olhos a pesquisar ambientes de repouso

para imprimir o próximo segundo descritível, esqueço a meta central da peça e

termino tudo com o esperado notório... Fim.



Por:

Dom Quixote

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