quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Lembranças do Poço das Violetas


Do alto do penhasco assombrado alguém se joga rumo aos fantasmas do solo. Luzes radiantes das árvores natalinas esclarecem a descida, acenando para as lanças de pedra que amortecerão o pouso. Não há muito que pensar – uma certa breguice essa história de saco de presentes e chaminés, não? – e sobra um estranho conforto de saber que a consciência não mais lhe pertence e que o espera algo de novo.

Dissolveram-se os problemas todos, mas por que há de morrer se não pensou em quem carregará seu caixão no dia seguinte de tantos festejos convexos?

Quando estava próximo da derradeira terra – que em breve lhe partirá inteiro – lembrou que estava a morrer de amor através da mão de quem criou e sequer se sensibilizou dos júbilos todos (malditos escritores).

Amor

Esse compêndio louco

De emoções insones

E corda pouca

Que segura fraco a vida

E nos faz enfiar facas lentas

No coração do mundo.

Feliz Natal!

por:

Daniel Zanella

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