
Do alto do penhasco assombrado alguém se joga rumo aos fantasmas do solo. Luzes radiantes das árvores natalinas esclarecem a descida, acenando para as lanças de pedra que amortecerão o pouso. Não há muito que pensar – uma certa breguice essa história de saco de presentes e chaminés, não? – e sobra um estranho conforto de saber que a consciência não mais lhe pertence e que o espera algo de novo.
Dissolveram-se os problemas todos, mas por que há de morrer se não pensou em quem carregará seu caixão no dia seguinte de tantos festejos convexos?
Quando estava próximo da derradeira terra – que em breve lhe partirá inteiro – lembrou que estava a morrer de amor através da mão de quem criou e sequer se sensibilizou dos júbilos todos (malditos escritores).
Esse compêndio louco
De emoções insones
E corda pouca
Que segura fraco a vida
E nos faz enfiar facas lentas
No coração do mundo.
Feliz Natal!
por:
Daniel Zanella
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